” O Mais Feliz Da Viva” A Banda Mais Bonita da Cidade – 2013 Masterizado para o iTunes

Pode-se dizer, que a história da indústria musical durante o final dos anos 2000, “A era que o MP3 sacudiu o Mercado Fonográfico”, foi de uma luta para encontrar o equilíbrio entre os interesses do consumidor, dos artistas, dos engenheiros de áudio e da indústria. A maior parte dos consumidores buscavam portabilidade, facilidade na compra e preços baixos. Os artistas e engenheiros de áudio desejavam um produto final de alta qualidade e a indústria, por sua vez, com a queda nas vendas de CD necessitavam lucrar com as vendas digitais.

A Apple fez então, um pequeno movimento, no sentido de buscar este equilíbrio, começando a vender seus álbuns no iTunes com o título “Masterizado para iTunes.” Mas o que isso significa? Para entender é preciso lembrar como a digitalização do áudio surgiu.

No início da transição do vinil para o CD, os arquivos gravados em CD nada mais eram que versões digitalizadas de álbuns masterizados inicialmente para o formato vinil. Uma técnica própria de masterização para o áudio no formato do CD ainda não havia sido desenvolvida, assim, fazia-se uma adaptação das técnicas e ferramentas que estavam disponíveis na época. É claro que estas adaptações não soavam bem. Eu ainda tenho um CD do YES lançado em 1.988, cujo som é bem pior do que o do disco de vinil lançado na mesma época.

“Ontem Hoje Amanhã” Tó Brandileone ” – 2013 Masterizado para o iTunes

O CD popularizou a música, nunca vendeu-se tanto como nesta época. Como consequência natural do sucesso do CD os engenheiros de masterização foram obrigados a desenvolver uma nova metodologia de trabalho aprimorando suas técnicas para produzir um produto de qualidade. Também surgiram novas ferramentas digitais com este objetivo como, por exemplo, os redutores de ruído e workstations digitais. Isso tudo desencadeou uma mania de remasterização dos álbuns já lançados em vinil para que pudessem ser comercializados no novo formato do CD.

Após, em uma ação conjunta do Institut Integrierte Schaltungen – IIS da Alemanha e da Universidade de Erlangen foi desenvolvida uma codificação perceptual de áudio para Digital Audio Broadcasting. Tal trabalho resultou num algoritmo de compressão de áudio que foi chamado de MPEG Audio Layer-3, que tempos depois evoluiu para o MP3, um arquivo eletrônico que permite ouvir músicas em computadores, que facilita a transferência dos arquivos e que não ocupa muito espaço no hard disk dos computadores. A ideia sempre foi manter a qualidade dos arquivos de áudio, porém tanta compressão nos arquivos acabou prejudicando, e muito, a qualidade do áudio. (Um arquivo de 3 minutos de uma música no formato CD tem aproximadamente 40mb enquanto o mesmo arquivo em MP3 tem 3mb).

” Infinito” Corciolli ” – 2015 Masterizado para o iTunes

Para o desespero de toda a indústria musical, não é preciso muito esforço para explicar os motivos pelos quais o MP3 caiu no gosto dos consumidores, a facilidade na transferência dos arquivos, a possibilidade de armazenar uma quantidade enorme de música dentro do seu computador pessoal e a praticidade na reprodução destes arquivos, ainda mais com o surgimento do iPod e iPhone, que atenderam a todas as necessidades do mercado, além criar uma nova cultura mundial relacionada à música.

Acontece que o MP3 nunca foi visto como uma evolução do formato dos arquivos de áudio, mas sim, como um produto de transição de qualidade bem comprometida na busca de uma maneira viável de distribuição e venda de música em HD (24Bits/96K). Formato, este, bem melhor que o do CD, porém com tamanho muito grande (usando o exemplo anterior, uma música de 3 minutos em HD tem algo em torno de 80MB).

“Rua dos Amores” Djavan – 2012 Masterizado para o iTunes

A Indústria, bem que tentou, mas não teve sucesso ao implantar novos formatos através do DVD-A e do Super Áudio CD, pois além dos arquivos digitais terem seus tamanhos grandes, eles foram comercializados através de mídias, justamente o que os consumidores não queriam mais, a procura era por arquivos digitais, pequenos e comercializados pelas lojas digitais.

Muitos acreditam que a longa duração da era MP3 é explicada pela esperança de que os profissionais de áudio encontrem uma maneira de produzir os arquivos digitais com qualidade igual ou superior a dos arquivos gravados em HD, e, tudo isso, sem comprometer a capacidade de armazenamento comprimido e a facilidade da transmissão rápida de arquivos via banda larga de internet sem perdas.

Criou-se, assim, uma verdadeira utopia musical que já dura uma década:

“Enviar de um lugar para outro com facilidade arquivos de áudio com ótima sonoridade sem perdas significativas”.

Foi neste cenário que a Apple, atendendo aos apelos dos consumidores e dos profissionais de áudio, se aproximou dos estúdios de masterização para juntos desenvolverem um novo procedimento de masterização para melhorar a qualidade dos arquivos digitais de áudio para o iTunes. O resultado de todo este empenho é o chamado “masterizado para iTunes”.

“Delírio” Roberta Sá – 2015 Masterizado para o iTunes

Precisamos entender que a tecnologia mudou muito a maneira que nós gravamos a nossa música, e mexeu ainda mais na forma como nós ouvimos essas músicas. Os novos formatos sempre são anunciados com muita propaganda pelos fabricantes e recebidos com muito entusiasmo pelos engenheiros de áudio, mas muitas vezes, nos primeiros anos após os supostos avanços serem totalmente implementados, as novas produções e os engenheiros de masterização sofrem para atualizar as técnicas, até então atuais e bem sucedidas, aos novos formatos.

O objetivo básico do “Masterizado para iTunes” foi exatamente este, atender esta nova demanda pela qualidade dos arquivos de áudio compactos em AAC vendidos no iTunes e disponibilizados mais tarde no Apple Music.

A música atual que você ouve, não importa qual seja o formato,  no iTunes, Spotify ou Apple Music, vai soar pior do que no estúdio onde ela foi gravada e mixada. Isso não é só porque os músicos e engenheiros de som têm um equipamento bem melhor daquele que a maior parte das pessoas possuem, mas, porque os arquivos de gravação atuais contém muito mais informações do que os arquivos digitais e os arquivos gravados nas mídias.

“AOR” Ed Motta – 2013 Masterizado para o iTunes

Hoje, a maioria das produções são gravadas e mixadas em HD (24 bits/96Khz) e em algumas produções em HD (32 bits/192Khz) No processo de masterização essas músicas são processadas e ajustadas com o objetivo de reproduzi-las tão bem quanto possível nos formatos finais do CD (16 bits/44.1 ) e dos arquivos digitais comprimidos como o MP3 (128 a 320 kbps) e AAC (128 a 256 kbps), inferiores ao HD 24Bits/96K e também ao CD 16 bits/44.1

O CD, mesmo com a qualidade do áudio um pouco inferior a gravação original em HD, soa muito bem e a maioria das pessoas gostam de ouvir, mas quando você transfere as músicas do CD para o iTunes em MP3 (ou AAC, formato usado da Apple), você está usando um codec de compressão de dados, que é um programa destinado a eliminar as partes do som de uma música que você não percebe ou não pode ouvir. Isso acontece também com as codificações para o Spotify.

O triunfo destes conversores está justamente na capacidade de remover uma enorme quantidade de informações contidas dentro de uma gravação sem parecer que foram removidas. Porém, quando as pessoas ouvem esses arquivos digitais, em um bom fone ou um sistema de som, elas são capazes de perceber que algo está faltando, mas elas estão dispostas a ignorá-lo pela conveniência.

“Amanhecer Ao Vivo” Paula Fernandes – 2016 Masterizado para o iTunes

Desde o início do funcionamento da loja virtual, o iTunes usa as músicas masterizadas extraídas diretamente do CD em 16Bits/44.1 convertendo-as para o formato AAC 128 kbps e, neste formato, venderam milhares de músicas. As pessoas ouviam basicamente seus MP3 em iPods, celulares e docks, já os CDs, com qualidade superior, em seus carros e sistemas de som hi-fi em casa. Mas, os CDs acabaram sendo substituídos pelos arquivos digitais e começaram a ser reproduzidos também em sistemas de boa qualidade sendo mais perceptível sua inferioridade sonora, principalmente nos fones, que cada dia estão melhores.

No formato “masterizado para iTunes”, o projeto é masterizado em HD (24b/96k) considerando que serão reproduzidos apenas em AAC no iTunes e Apple Music e assim como aconteceu na época do CD, os áudios seriam reproduzidas apenas em CD. O arquivo finalizado é, então, enviado para a Apple no formato HD WAV/24Bits/96K e são convertidos para AAC 256kbps na Apple, o que representa um aumento e tanto de qualidade, mas ainda assim bem inferior ao formato original em HD. É fato que estamos diante de um avanço, porém há muito a ser melhorado.

Em seu guia para masterizar para o iTunes, a Apple diz: “A distribuição digital não é uma reflexão tardia e sim o meio dominante de hoje para consumir música e sendo assim, devem ser tratados com o máximo cuidado e atenção.”

É muito simples dizer que o formato “masterizado para o iTunes” foi apenas mais uma estratégia de marketing da Apple e das gravadoras, quando na verdade se trata de um novo procedimento de masterização do áudio que tem como objetivo minimizar as perdas ocorridas durante o processo de conversão do áudio para AAC, obtendo arquivos digitais com qualidade superior, sendo uma resposta da indústria fonográfica `a preferência dos consumidores pela música em mp3 com mais qualidade, melhorando um pouco aquele equilíbrio entre os interesses do consumidor, dos artistas, dos engenheiros de áudio e da indústria.

GLENDA GIRALDI
Atendimento e Marketing

Glenda Giraldi Soila, graduada em produção fonográfica e pós graduada em Music Business pela Universidade Anhembi Morumbi (Sao Paulo, Brasil) e formada em Pro Tools pela Avid Brasil.

Trabalhou como técnica de audio no Teatro da Rotina, por onde passaram grandes nomes da música independente, como Na Ozzetti e Ceumar.

Atualmente cuida das relações públicas da Classic Master Brasil, onde já participou de projetos como Ivete Sangalo, Victor e Leo, Lenine e Chico César e foi responsável por todo o acervo de áudio desde a fundação do estudio.

CARINA RENÓ
Assistente de Masterização (Classic Master Brasil)

Graduada em Propaganda & Marketing pela UNIP e com formação em Produção de Áudio na Academia de Áudio OMID, atualmente cursa Educomunicação na ECA-USP.

Atuou por 7 anos, na produtora Trilha Original Estúdio, adquirindo experiência com produção de áudio para publicidade, teatro, cinema e tv, atendendo programas como Instrumental Sesc Brasil, Super Libris e Sala de Cinema, longas-metragens como Florbela e O Amuleto e espetáculos das cias de teatro Le Plat Du Jour e Pia Fraus.

Desde 2015 é parte da Classic Master nas áreas de atendimento e como assistente do engenheiro de masterização Carlos Freitas colaborou com projetos como Chico César – Estado de Poesia Ao Vivo, Ivete Sangalo – ao Vivo Em Trancoso, Lenine – Em Trânsito, 5 a Seco – Síntese, Banda Mais Bonita Da Cidade – De Cima do Mundo Eu Vi O Tempo, Maria Beraldo – Cavala, Pato Fu – Música de Brinquedo 2, Clara Castro – Caostrofobia, Julia Branco – Soltar Os Cavalos, Paulinho Moska – Beleza e Medo, Cólera – Acorde! Acorde! Acorde!, Luiz Melodia – Zerima e João Bosco – Mano Que Zuera.

NATALIA HERRERA
Ass. de Masterização (Classic Master Latino América)

Natalia Bohórquez Herrera, formada em produção musical e fonográfica da Universidade Anhembi Morumbi (Sao Paulo, Brasil), e como DJ e Produtora pela escola DNA Music (Bogotá, Colombia),  complementou seus estudos na área de Masterização na Berklee School of Music.

Na sua carreira tem trabalhado como assistente de edição e mastering em projetos de artistas nacionais e internacionais, como Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, Djavan, Paralamas do Sucesso, Barbatuques, Arnaldo Antunes, Jota-Quest, Lenine, Richard Lane, Buendia, Angela Cervantes, Marinah, entre outros.

Radicada atualmente na cidade de Bogotá, continua trabalhando como assistente de masterização da Classic Master SP e  é representante oficial para Classic Master Latinoamérica.

CARINA RENÓ
Assistente de Masterização
CARLOS FREITAS
Engenheiro de Masterização

Carlos Freitas é engenheiro de áudio há 33 anos e proprietário do estúdio de masterização Classic Master localizado em São Paulo.

Estudou na Berklee School of Music e na Faculdade Casper Líbero. Ao longo de sua carreira trabalhou com grandes artistas nacionais e internacionais, tais como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Toquinho, Tom Jobim, Milton Nascimento, João Gilberto, Roberto Carlos, Djavan, Ed Mota, Marisa Monte, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Luciana Souza, Céu, Ivete Sangalo, J-Quest, Titãs, Ira!, RPM, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Zélia Duncan, Maria Rita, Lenine, Aline Barros, Bon Jovi, Alice in Chains, Seal, Prince, Guns n Roses, Simple Red, George Michael, Filarmonicas de NY , Leningrado, Moscou e Israel, OSESP entre tantos outros nomes.

Em 2016, participou das Olimpiadas do Rio de Janeiro masterizando todo o áudio utilizado na cerimónia de encerramento para a transmissão em televisão e também para a apresentação no Maracanã.

Possui 8 indicações ao Grammy Latino na categoria “Engenharia de Audio” nos anos de 2006, 2009, 2011, 2012, 2013 e 2016 e diversos trabalhos indicados e premiados pelo Grammy e Grammy Latino e, nos anos de 2000, 2002 e 2011, recebeu o prêmio PA promovido por Otavio Brito de “Melhor Profissional de Masterização” e em 2016 e 2017, recebeu o prêmio “Profissionais da Música” na categoria melhor engenheiro de masterização.