E a guerra dos volumes??

A velha história….

O tema continua desgastado, a discussão, o pouco que ainda tem, eterna e inútil, mas com a consolidação do serviço de stream como formato,  o futuro da indústria da música é animador, não apenas a partir de uma perspectiva de negócios na área musical, mas principalmente a partir da perspectiva da qualidade do áudio. O serviço de música por stream já superou os CDs e downloads como formato final de entrega ao consumidor.

O otimismo é evidente,  à medida que mais e mais engenheiros, artistas e produtores já perceberam que está mais do que na hora de superar e esquecer de vez essa tal guerra do volume, onde na verdade nunca houve vencedores, e sim um único perdedor, o consumidor final que era obrigado a ouvir uma música de péssima qualidade e principalmente os consumidores que realmente apreciavam uma boa música!

 Então a tal guerra do volume acabou?

Bom, para a maioria, sim, mais ainda há uma certa resistência, especialmente no estilo sertanejo, mas estamos caminhando cada dia mais rápido, e é apenas uma questão de tempo para o fim.

Sendo breve, a guerra do volume começou com o formato do CD, onde se comparava uma música do CD “A” com uma música do CD “B”. Uma vez que a indústria da música nunca adotou padrões de sonoridade (como os padrões estabelecidos há muito tempo pela indústria do cinema e broadcast), esse acabou sendo o padrão do CD, o quanto mais alto (!), melhor, pois nenhum artista queria que sua música tivesse um som inferior (volume mais baixo) ao de outros artistas no CD.

Mas aqui está o X da questão: o formato de distribuição de música não é o mais o CD! Claro, o CD continua vendendo ainda nos shows de alguns artistas, mas o CD ficou de fora como formato final de entrega ao consumidor. Atualmente, praticamente ninguém mais compra CDs.

Os arquivos digitais que tocam em computadores e celulares tem a sua a reprodução feita através dos players oferecidos pelos serviços de stream, como iMusic, Youtube, Spotify, Deezer e Tidal e essa é a forma como as pessoas consomem música atualmente e já substituiu completamente o CD.

 Ok, mas como isso está acabando com a guerra do volume?
A solução veio com um ajuste automático de volume da reprodução medida pelo volume médio percebido em LU (Loudness Unit)  do tempo total de cada música, a normalização de loudness e não mais pelo pico máximo como era o CD, preservando a dinâmica original concebida pelo arranjador e performance do artista.
Neste processo, não se aplica apenas um compressor ou maximizador para se normalizar o áudio, se utiliza algoritmos sofisticados que levam em conta o volume médio do tempo total de uma canção (LUs) e também pequenos trechos de intensidade mais alta e é o resultado de um amplo estudo da faixa dinâmica adequada ao ouvinte, para que a audição de música, principalmente através de fones, não deixe sequelas auditivas ou cause fadiga auditiva ( exatamente o que acontecia no final da era do CD, onde ninguém conseguia ouvir 5 músicas seguidas de um mesmo álbum)
Com base neste tipo de normalização , uma canção de Rock produzida no início dos anos 80 por exemplo, será reproduzida na mesma intensidade percebida que uma canção de Rock produzida a partir de agora e a músicas altamente comprimidas terão sua sonoridade inferior a uma música com mais dinâmica, pois o volume (RMS) médio está sendo padronizado em  -14LUs. (O volume RMS médio atual do CD é de – 7 RMS). Isso acontece porque o “Player” faz uma analise do áudio e abaixa ou aumenta o volume automaticamente buscando o RMS médio da norma.
Vale lembrar que o Bob Katz quando criou o sistema K de medição já tinha chegado a conclusão que 14dBfs de faixa dinâmica para o CD e – 20dBfs para TV era o ideal. O sistema de normalização de loudness utiliza – 14LU e – 23LU, bem próximos ao sistema K.
Os serviços de música por Stream iMusic, Spotify e YouTube,  já adotaram os novos padrões de normalização de Loudness* se juntando  a TV e rádios digitais e com isso, passamos a ter um padrão de reprodução de música como o Cinema e a Televisão pois esses algoritmos já fazem parte do player, e não mais uma opção.
No Youtube, existe uma forma de você ver o quanto o volume da sua música está sendo alterado caso ela não esteja no formato -13LU/-1dBtp, a “estatística para Nerds” (Control+Clique em cima do vídeo para aparecer um menu com essa opção.
Aqui abaixo 2 exemplos:
A Banda 5aSeco teve o áudio do seu vídeo masterizado especialmente para o Youtube considerando as normas de loudness a dupla Sertaneja João Bosco e Vinicius não.
O Gráfico mostra que o áudio do 5aSeco não sofre nenhuma normalização de volume, pois está em 100%, ao contrário do áudio da dupla Sertaneja João Bosco e Vinicius, que sofre uma drástica redução de 6 dBs, está em – 49%, ou seja, nesse caso, o volume está 6 dBs abaixo com sua sonoridade e volume final bem diferente da master original.
Abaixo dá para para ouvir a diferença:

Mas e o fim da guerra ??

As músicas com mais dinâmicas realmente soam melhores no formato stream do que as músicas com excesso de compressão e limitação dos velhos CDs, ( 5aSeco X João Bosco e Vinicius) e como soam melhores, os ouvintes estão se acostumando bem rápido com essa nova sonoridade e as músicas altamente processadas estão se tornando cada vez mais uma má lembrança da era do CD.

Agora, as novas técnicas de mixagem e masterização atendem apenas as necessidades artísticas da música e não sacrificam mais a qualidade por causa do volume insano e  com isso, realmente chegamos ao fim a guerra do volume. Estamos no inicio de uma nova e saudável competição, a das grandes mixagens e masterizações.
Um bom engenheiro de masterização agora pode e deve se concentrar em fazer uma master com uma grande sonoridade , com a dinâmica adequada e compatível com os novos formatos de transmissão de áudio, pois não haverá mais razão para destruir uma música para que ela soe apenas alta por causa de um formato (CD) que acabou de morrer.

Haverá ainda pessoas que querem os altos volumes da era CDs e certamente alguns estilos de música realmente soam melhores quando tem o seu som levado ao limite, mas isso é estética sonora, e não padrão ou sinônimo de melhor e o melhor de tudo, é que agora o ouvinte final, pode realmente ouvir a música da maneira como o artista e o produtor idealizaram, com muito menos artefatos de distorção causados pelo excesso de processamento que estamos acostumados a ouvir desde a década passada.

Master For vinil: -16dB – 1.0 dB TP
Master for For CD: -12LU -0.3 dB TP
Master For iTunes iMusic: -16LU -1.0 dB TP
For Spotify: -14LU -1 dB TP
Master for YouTube: -13LU -1dB TP
Master for TV: -23LU – 2.0 dB TP
Obs: O Spotify mudou recentemente seus valores para -14 LUs / -1dbTP.
GLENDA GIRALDI
Atendimento e Marketing

Glenda Giraldi Soila, graduada em produção fonográfica e pós graduada em Music Business pela Universidade Anhembi Morumbi (Sao Paulo, Brasil) e formada em Pro Tools pela Avid Brasil.

Trabalhou como técnica de audio no Teatro da Rotina, por onde passaram grandes nomes da música independente, como Na Ozzetti e Ceumar.

Atualmente cuida das relações públicas da Classic Master Brasil, onde já participou de projetos como Ivete Sangalo, Victor e Leo, Lenine e Chico César e foi responsável por todo o acervo de áudio desde a fundação do estudio.

CARINA RENÓ
Assistente de Masterização (Classic Master Brasil)

Graduada em Propaganda & Marketing pela UNIP e com formação em Produção de Áudio na Academia de Áudio OMID, atualmente cursa Educomunicação na ECA-USP.

Atuou por 7 anos, na produtora Trilha Original Estúdio, adquirindo experiência com produção de áudio para publicidade, teatro, cinema e tv, atendendo programas como Instrumental Sesc Brasil, Super Libris e Sala de Cinema, longas-metragens como Florbela e O Amuleto e espetáculos das cias de teatro Le Plat Du Jour e Pia Fraus.

Desde 2015 é parte da Classic Master nas áreas de atendimento e como assistente do engenheiro de masterização Carlos Freitas colaborou com projetos como Chico César – Estado de Poesia Ao Vivo, Ivete Sangalo – ao Vivo Em Trancoso, Lenine – Em Trânsito, 5 a Seco – Síntese, Banda Mais Bonita Da Cidade – De Cima do Mundo Eu Vi O Tempo, Maria Beraldo – Cavala, Pato Fu – Música de Brinquedo 2, Clara Castro – Caostrofobia, Julia Branco – Soltar Os Cavalos, Paulinho Moska – Beleza e Medo, Cólera – Acorde! Acorde! Acorde!, Luiz Melodia – Zerima e João Bosco – Mano Que Zuera.

NATALIA HERRERA
Ass. de Masterização (Classic Master Latino América)

Natalia Bohórquez Herrera, formada em produção musical e fonográfica da Universidade Anhembi Morumbi (Sao Paulo, Brasil), e como DJ e Produtora pela escola DNA Music (Bogotá, Colombia),  complementou seus estudos na área de Masterização na Berklee School of Music.

Na sua carreira tem trabalhado como assistente de edição e mastering em projetos de artistas nacionais e internacionais, como Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, Djavan, Paralamas do Sucesso, Barbatuques, Arnaldo Antunes, Jota-Quest, Lenine, Richard Lane, Buendia, Angela Cervantes, Marinah, entre outros.

Radicada atualmente na cidade de Bogotá, continua trabalhando como assistente de masterização da Classic Master SP e  é representante oficial para Classic Master Latinoamérica.

CARINA RENÓ
Assistente de Masterização
CARLOS FREITAS
Engenheiro de Masterização

Carlos Freitas é engenheiro de áudio há 33 anos e proprietário do estúdio de masterização Classic Master localizado em São Paulo.

Estudou na Berklee School of Music e na Faculdade Casper Líbero. Ao longo de sua carreira trabalhou com grandes artistas nacionais e internacionais, tais como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Toquinho, Tom Jobim, Milton Nascimento, João Gilberto, Roberto Carlos, Djavan, Ed Mota, Marisa Monte, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Luciana Souza, Céu, Ivete Sangalo, J-Quest, Titãs, Ira!, RPM, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Zélia Duncan, Maria Rita, Lenine, Aline Barros, Bon Jovi, Alice in Chains, Seal, Prince, Guns n Roses, Simple Red, George Michael, Filarmonicas de NY , Leningrado, Moscou e Israel, OSESP entre tantos outros nomes.

Em 2016, participou das Olimpiadas do Rio de Janeiro masterizando todo o áudio utilizado na cerimónia de encerramento para a transmissão em televisão e também para a apresentação no Maracanã.

Possui 8 indicações ao Grammy Latino na categoria “Engenharia de Audio” nos anos de 2006, 2009, 2011, 2012, 2013 e 2016 e diversos trabalhos indicados e premiados pelo Grammy e Grammy Latino e, nos anos de 2000, 2002 e 2011, recebeu o prêmio PA promovido por Otavio Brito de “Melhor Profissional de Masterização” e em 2016 e 2017, recebeu o prêmio “Profissionais da Música” na categoria melhor engenheiro de masterização.