Chico César oscila entre o amor e a guerra em disco pautado por fartura instrumental

Com repertório inteiramente autoral, o 12º álbum solo do cantor e compositor paraibano tem faixas com seis, sete e até oito minutos.

Por Mauro Ferreira G1

O título do 12º álbum solo de Chico César, O amor é um ato revolucionário, faz supor disco em sintonia com a ideologia pacifista do líder indiano Gandhi (1869 – 1948). As audições das 13 inéditas e autorais – todas compostas solitariamente pelo artista paraibano, sem parceiros – desfazem a impressão. 

Grande compositor projetado na primeira metade da década de 1990, Chico César oscila entre o amor e a guerra na criação de repertório gravado com arranjos de fartura instrumental – há faixas com seis, sete e até oito minutos! – que se alinham com a verborragia das músicas ao mesmo tempo em que contrastam com a escassez melódica de algumas composições. 

Na impaciente Eu quero quebrar, o artista revela o desejo de partir para a ação, de “tirar a ira do papel”, em arranjo que culmina com evocação do universo do soul e da música gospel norte-americana.

Capa do álbum ‘O amor é um ato revolucionário’, de Chico César

No reggae Pedrada, produzido por Eduardo BiD, Chico encarna espécie de Bob Marley (1945 – 1981) do sertão paraibano que fala na Babilônia enquanto vocifera contra os “cães danados do fascismo” que ajudaram a chocar “o ovo da serpente“, “fruto podre do cinismo“. 

Entre as mutações experimentadas ao longo das 14 faixas do longo álbum (Eu quero quebrar é reprisada ao fim do disco em outra gravação produzida por André Abujamra), Chico César soa mais fluente quando dialoga com a canção popular na viciante History, música produzida por Marcio Arantes e já previamente lançada em single

No álbum, History dialoga com Like, outra canção sobre o amor nos tempos virtuais. “Quando curto essas besteiras que você posta / Às vezes, eu me sinto um bosta / Mas eu gosto / Pois eu sei que você gosta”, rima Chico com a simplicidade típica dos hits populares. 

Feitas em ritmo mais frenético pela voz encorpada de Chico, as rimas de Lok ok sobressaem sem deixar de evidenciar a sonoridade de arranjo que destaca guitarra de toque africano. E por falar na África, o cantor exalta em As negras as mulheres que trazem o “axé vital” do continente matricial em faixa em que música e letra evoluem em fina sintonia.

Em O homem do cobertor poluído, o cantor faz evocação pálida do cancioneiro folk rock de outro engajado Bob, o Dylan, para versar com acidez sobre os pequenos burgueses, também alvos da lúdica Cruviana. Nesta faixa, Chico César e a cantora pernambucana Flaira Ferro caricaturam os vocais para forjar a aura de cabaré circense.

Já Luzia negra – composição (sobre o ancestral fóssil humano do Museu Nacional do Rio de Janeiro) formatada com sete minutos na produção musical orquestrada por André Kbelo Sangiacomo com o próprio Chico César – exemplifica a verborragia e as longas passagens instrumentais com que são apresentadas várias músicas do repertório do álbum O amor é um ato revolucionário

É tanta palavra em Minha morena – convite ao amor sensual – que a letra parece sobrar na melodia dessa música de oito minutos justificados pelo clima jazzy adotado na parte final da gravação. 

Se o rock Mulhero (assim mesmo, com um o acrescido à palavra mulher) desperdiça tempo em jogo de palavras, De peito aberto manda recado feminista, de forma mais certeira e direta, aos “manés” que desrespeitam os direitos das mulheres governarem o próprio corpo e a própria vida. Chico dá o recado com o agudo reforço vocal da cantora paraibana Agnes Nunes.

Sim, Chico César sabe tomar posição e partido sem deixar de ser amoroso quando quer. Na música-título O amor é um ato revolucionário, o artista discorre sobre a natureza do amor após a introdução instrumental de um minuto e 20 segundos que remete ao universo ibérico latente na nação musical nordestina. 

Guitarras e um coro de acento gospel sobressaem ao longo dos mais de sete minutos dessa faixa que representa o tom opulento de disco em que Chico César às vezes peca por excessos na revolução que propõe fazer com amor e com ação. 

Siba solta o verbo no pio engajado e visionário do álbum ‘Coruja muda’

Por Mauro Ferreira G1

Terceiro álbum solo de Siba Veloso, Coruja muda é disco engajado que ousa dizer o que vê no Brasil de 2019. O pio politizado de Coruja muda protesta sem jamais adotar discurso panfletário ou clichê no inédito repertório autoral assinado pelo cantor, compositor e músico pernambucano. 

Mas está tudo dito em Coruja muda para quem quiser ouvir o recado do disco produzido e mixado por Siba com João Noronha e masterizado pelo Carlos Freitas aqui na Classic Master.

Nesse sentido, os dois singles que antecederam a edição do álbum – o frevo abolerado Barato pesado (apresentado em fevereiro) e o coco Tempo bom redondin (lançado em agosto) – são pistas quase falsas do tom de Coruja muda, cuja música-título traz a voz de Chico César. 

Se a cama instrumental é armada com temperatura amena, aclimatando o disco a partir da abordagem de ritmos pernambucanos com os toques suaves das guitarras de Siba e Lello Bezerra, a parte literária alicerça e alavanca o álbum. 

Siba parte da analogia entre os animais e o bicho homem – mote de Só é gente quem se diz – para radiografar o povo do Brasil em 2019. “Dos bichos da criação a aranha é a mais feia / Mas ela tem uma teia de boa conexão / Que é pra ter informação de todo bicho esquisito / Não posta fake do mito e nem vídeo de alguém que apanha / A internet da aranha só pega mosca ou mosquito“, correlaciona nos versos de Só é gente quem se diz.

Após três álbuns com o grupo Mestre Ambrósio e dois com a banda A Fuloresta do Samba, o rabequeiro Siba propaga a voz da liberdade sem dar nomes aos bois no baque solto de Carcará de gaiola

Já O que não há versa sobre a violência muda do povo apático que se recusa a entrar em campo para tentar virar o jogo que se mostra perdido em Meu time. Com o detalhe de que as letras sempre sobressaem em relação às melodias. 

Com a voz e o trombone recorrentes de Mestre Nico, Siba fez disco que transita musicalmente entre coco, embolada e ritmos da zona da mata pernambucana com toques afro-indígenas. 

Da nação africana, a propósito, vem Azda (1971), jingle do cantor e compositor congolês Franco vertido por Siba para o português com o título de Vem batendo asa. A faixa flui com leveza no toque afro das guitarras. E, entre tantas guitarras, a de Arto Lindsay ajuda a calçar Tamanqueiro

Enxergando a realidade com a lente limpa de quem pensa no coletivo, Siba fala o que pensa em Coruja muda

Artistas do Pará se reúnem para gravar músicas típicas da região.

Por Mauro Ferreira G1

Atração do Palco Sunset do Rock in Rio 2019 na programação de 3 de outubro, o coletivo intitulado informalmente Pará pop – nome que reforça a origem de Dona Onete, Fafá de Belém, Gaby Amarantos, Jaloo e Lucas Estrela – se reuniu no Red Bull Music Studios, na cidade de São Paulo (SP), para gravar medley com três músicas típicas desse estado do Norte do Brasil.

Feita para promover a apresentação da trupe paraense no festival, a gravação agrega duas músicas do repertório do cantor e compositor também paraense Augusto Gomes Rodrigues (1916 – 2009) – o autoproclamado Rei do carimbó conhecido pelo nome artístico de Mestre Verequete – e uma composição de autoria de Dona Onete.

De Verequete, Dona Onete, Fafá de Belém, Gaby Amarantos, Jaloo e Lucas Estrelas gravaram Chama Verequete e Ilha do Marajó. Do cancioneiro de Onete, a escolhida foi Banzeiro, música que deu nome em 2016 ao segundo álbum da cantora e compositora.

O Single Pará Pop foi masterizado aqui na Classic Master pelo Carlos Freitas

João Cavalcanti recicla repertório do grupo Casuarina em EP com dois sambas inéditos

Por Mauro Ferreira G1

Samba mobiliado – EP lançado por João Cavalcanti na sexta-feira, 30 de agosto – não é, até pelo formato, o segundo álbum solo desse artista carioca projetado ao longo dos anos 2000 como vocalista e principal compositor do grupo de samba Casuarina, do qual se desligou em novembro de 2017.

Sangrado, o anunciado álbum de Cavalcanti que sucederá Placebo(2012) na discografia solo do cantor, ainda permanece no plano das ideias.

Gravado ao vivo em abril deste ano de 2019, no estúdio da gravadora Som Livre, o EP Samba mobiliado apresenta somente duas músicas inéditas entre as seis faixas. As novidades são Moleque – composição da lavra solitária de Cavalcanti – e , samba feito em parceria com Thiago da Serrinha.

A propósito, o percussionista Thiago da Serrinha integra a banda arregimentada para o registro do disco e também formada por Alaan Monteiro (arranjos e bandolim), Gabriel de Aquino (violão), João Rafael (contrabaixo).

Todo o processo de gravação ao vivo foi filmado sob direção de Maria de Médicis para dar origem aos clipes das seis faixas. O primeiro, o da música Bicho saudade (2018), foi lançado no início de agosto, apresentando a abordagem dessa parceria de João com o pai, Lenine, convidado da faixa.

Já em rotação, o segundo é o da regravação de Queira ou não queira(João Cavalcanti e Alaan Monteiro, 2016), samba lançado há três anos em álbum do grupo Casuarina, de cujo repertório o ex-integrante também rebobina Ponto de vista (João Cavalcanti e Edu Krieger, 2011) e Quando você deixar (João Cavalcanti, 2016).

Chico César ajuda Nathalia Bellar a girar ‘Catavento’, primeiro álbum da cantora

Projetada na edição de 2017 do programa ‘The Voice Brasil’, artista paraibana lança em outubro o disco produzido por Rodrigo Campello.

por Mauro Ferreira G1

Cantora e compositora paraibana que ganhou visibilidade nacional ao participar a edição de 2017 do programa The Voice Brasil (TV Globo), Nathalia Bellar lança em outubro o primeiro álbum, Catavento

O conterrâneo Chico César participa do disco, cantando com Nathalia a música Furtacor, de autoria do compositor (também paraibano) Wister. Chico também gravou o clipe da faixa. 

Quem assina a produção musical do álbum Catavento é Rodrigo Campello – o que remete à trajetória de Roberta Sá, já que a cantora potiguar também começou a trabalhar com Campello após participar em 2002 de um programa do gênero, o Fama, exibido pela TV Globo.

Gravado sob direção artística de Valério Lima, o álbum Catavento traz no repertório uma regravação de música do pernambucano Lula Queiroga, Roupa no varal, lançada pelo compositor no álbum Aboiando a vaca mecânica (2001). 

Compositora que já lançou músicas próprias como Pra durar (2012) e Estranho mundo (2016), Nathalia Bellar assina Samba-canção em parceria com Tino, compositor de Pernambuco. A música Namorada dela também traz a assinatura da artista. 

Barro, Chico Limeira (autor da música-título, Catavento), Guga Limeira e Titá Moura também integram o time de compositores gravados pela cantora no álbum Catavento. A ideia é apresentar a música nordestina, sobretudo a paraibana, em tom pop contemporâneo.

O álbum Catavento foi masyetozado aqui na Classic Master pelo Carlos Freitas 

Cristovão Bastos e Maury Buchala – Espelho

Como quem se mira no espelho, mas em franca conversa ao piano filmada por Nelson Pereira dos Santos nos anos 80 do século passado, Radamés Gnattali lamentava-se com Tom Jobim de que não conseguira realizar seu sonho de juventude, ir para Europa estudar música e ser concertista de piano: “Eu tinha que trabalhar para viver, fazer arranjo, rádio, estúdio…”.

Tom, igualmente como se diante do espelho, minimizava o sofrimento de seu mestre, agigantando-o. “Mas Radamés, que bom que você não foi, que ficou aqui, e fez essa musica linda, essa obra maravilhosa…”.

Ambos, gênios fundamentadores do que hoje chamamos de moderna música brasileira (sem a sempre confusa qualificação de “popular” ou “erudita”), ao olharem-se no espelho poderiam se deparar com o também compositor de piano Pestana, o famoso personagem de Machado de Assis do conto “O homem célebre”, que se ambicionava  um Mozart mas era simplesmente, e para sua íntima desgraça, o maior autor de polcas buliçosas do império brasileiro: “Compunha só, teclando ou escrevendo (…), sem exasperação, sem nada pedir ao céu, sem interrogar os olhos de Mozart. Nenhum tédio. Vida, graça, novidade, escorriam-lhe da alma como de uma fonte perene”.

Como herdeiros de Radamés e Tom, Cristóvão Bastos e Maury Buchala convivem com o mesmo dilema – o desejo de uma criação musical pura e a realidade da música profissional – mas cada um a seu jeito o superou. Ao mirarem-se no espelho neste “Espelho”, o que veem é algo preciso, ainda que pareça difuso, a julgar pela carreira e historia de vida de cada um: dois inspirados compositores de canções brasileiras, pianistas e arranjadores. Como Pestana, Radamés, Tom.

Maury Buchala de certa forma realizou o sonho de Radamés: ao fim da faculdade de música da USP conseguiu uma bolsa para estudar composição e regência em Paris por dois anos. Já está por lá há 30 e tornou-se importante compositor e regente de música clássica contemporânea, dedicado a pesquisas de novas texturas, novos procedimentos e sons, formações orquestrais variadas, música pura e abstrata, mas sem nunca deixar de compor canções. (Mas é aí que o espelho começa a se fragmentar, na verdade, nascido em 1967, educado musicalmente em conservatórios do interior de São Paulo na época de ouro da MPB, o sonho de Maury era ir para o Rio ser arranjador de música popular, como Radamés, como Cristóvão Bastos…).

Cristóvão, criado no subúrbio carioca de Marechal Hermes, estudou música clássica desde criança e se recorda de ser reprimido – e de se rebelar – por um professor de piano na escola católica, insatisfeito com seus arroubos criativos, mas avançados, e muitas vezes fora dos procedimentos clássicos. Tornou-se, com sua sólida formação (e rebeldia), um dos mais importantes arranjadores da música popular brasileira, pianista virtuose de estilo pessoal e um prolífico compositor de canções de sucesso como “Todo sentimento”, “Resposta ao tempo” e até o estranho lundu ternário “Tua cantiga”, em parceria com Chico Buarque, e que Pestana, sei lá, acho que assinaria.

Bastidores da gravação do Álbum Espelho de Maury Buchala e Cristóvão Bastos.

Em 2010, Maury foi ao festival de Ourinhos, no interior de São Paulo, encontrar um regente, quando andando pelos corredores ouviu atrás de uma porta o som de um piano com harmonizações inusitadas, improvisos criativos e diferentes. Abriu a porta e era Cristóvão em uma de suas oficinas de música. Conheceram-se, trocaram ideias e músicas e era como se mirassem no espelho, um espelho todo fragmentado com pedaços da história da canção brasileira de compositores pianistas. Nasceu o desejo de fazer algo juntos, o que resulta agora neste imenso “Espelho”, não propriamente uma parceria, mas o espelhamento dos pianos, dos arranjos e das canções de um e de outro, bem “brasileiras” nos ritmos e inspirações, camerísticas na forma, mas que se unem nos músicos sempre os mesmos e nos cantores solistas – não por acaso cantores populares de vozes perfeitas e educadas: Áurea Martins, Leila Pinheiro, Mariana Baltar e Renato Braz.

O espírito que paira neste trabalho inusitado, e de certa forma também um outro espelho de “Espelho”, é o de Tom Jobim e sua linha de canções camerísticas, como nos LPs “Canção do amor demais” (tendo a “popular” Eliseth Cardoso como solista) e “Por toda minha vida” (com a “lírica” Lenita Bruno como cantora). 

A valsa “Luciana”, de Maury, é o elo natural com o universo jobiniano, já que é homônima de uma valsa de Tom e Vinicius, mas ganha contornos próprios com suas alterações rítmicas, virando quase uma “falsa” valsa, não fosse escrita por um inquieto compositor de música contemporânea. Cantada por Leila Pinheiro, e localizada no miolo do disco, ela é “espelhada” com a composição de Cristóvão “Poranduba”, também ligada ao universo das canções de Jobim só que da linha “ecológica” (com diversas e sutis citações a esse universo, do desenho do violoncelo aos sopros no final) e cantada por Leila. Vindo de extremos teoricamente opostos, os dois compositores (e arranjadores) se encontram a ponto de, aí, um ver o outro no espelho.

As canções de Maury, contudo, guardam de forma muito evidente sua origem na música contemporânea. “Imagens”, uma valsa francesa ambientada aliás em Paris, talvez seja o melhor exemplo de síntese dos universos popular e clássico, com suas dissonâncias, sua forma desconstruída, o arranjo do quarteto de cordas e até algo de free jazz na execução do baixo e da bateria. Também cantado por Renato Braz, o “Baião” é cheio de sutilezas, chega a lembrar Villa-Lobos no uso de temas populares infantis e na segunda parte mais dramática, mas tem procedimentos típicos da música contemporânea, como as mudanças de arcos nas cordas. Já a pureza e a precisão do canto – popular – de Mariana Baltar reforçam a fluência e o caráter lúdico de peças como “Carrosséis” e “Choreando”, que nem por isso renegam sua origem, escritas por um compositor que parte de uma matriz “erudita”, sobretudo na escrita do arranjo e na execução do piano.

Cristóvão vem no caminho oposto, traz sua forma “popular” de compor para o universo camerístico proposto pelo disco. Como as de Maury, suas composições partem de gêneros populares, mas são apresentadas também nesse formato. “Virou ciranda” e “A voz do samba”, ambas com letras de seu parceiro mais novo, Roberto Didio, são verdadeiros tratados em música e poesia sobre os gêneros que abordam, chegam ao sublime simbolizadas pela excelência vocal de suas intérpretes, Leila Pinheiro e Áurea Martins, que também interpreta “Rede branca”, canção grandiosa feita por Cristóvão com seu mais constante e antigo parceiro, Paulo César Pinheiro.

Do universo caipira, com direito à viola de João Lyra, “Santo forte” encontra a precisão clássica do canto de Renato Braz que, como aliás “Poranduba”, tem surpreendente letra de Roque Ferreira, imenso compositor do Recôncavo Baiano muito mais conhecido por seus sambas e sambas-de-roda do que pelas letras “eruditas” feitas para as canções de Cristóvão, num procedimento tão afeito a este disco.

Denso como peças eruditas, fluente como canções populares, neste “Espelho”, quando Cristóvão e Maury se olham eles não veem apenas um ao outro, veem uma coisa chamada canção brasileira, fonte perene, pura vida, graça, novidade escorrendo da alma dos compositores, como queriam Radamés e Tom. E o Pestana, do Machado, sonhava sem saber.

Hugo Sukman
Jornalista

Lucy segue na linha do pop massivo com o single ‘Amor de ouro’

Lucy Alves – agora somente Lucy para efeitos artísticos – dá continuidade ao processo de adesão ao pop massivo que iniciou há dois anos com a edição do single Caçadora (Bruno Caliman e Cesar Lemos, 2017). 

Amor de ouro – recém-lançado single da cantora, compositora e instrumentista paraibana – segue a linha industrializada do anterior Mexe mexe (Pablo Bispo, Barbara Ohana e Alice Caymmi, 2019). 

Composição inédita assinada pela própria Lucy em parceria Wynnie Nogueira, Lucas Lionel e Juan Labarca, Amor de ouro chega ao mercado fonográfico vendida como “mensagem de tolerância ao amor em todas as formas”. 

Signos e sons nordestinos são diluídos em serviço do apelo pop(ular) da gravação feita com produção musical creditada a Alê Siqueira e a Lucy. 

Sintonizando imagem e som, o ensaio fotográfico assinado por Miro procura enfatizar na capa do single a imagem tropical latina adotada por Lucy nesta fase da carreira fonográfica. 

Tal como o antecessor Mexe mexe, o single Amor de ouro investe pesado no marketing para tentar consolidar o atual som da artista no mainstream do concorrido universo pop.

Amor de Ouro foi produzida por Alê Siqueira, mixado por Arthur Luna e masterizado aqui na Classic Master pelo Carlos Freitas

Registro histórico do Premeditando o Breque tem caixa com sete discos do icônico ‘Premê’

Por Magno Santos – Tribuna On Line

Entre o fim da década de 1970 e meados dos anos 1980, São Paulo viveu uma grande efervescência cultural promovida por artistas que estiveram lado a lado na Vanguarda Paulistana. O movimento teve como protagonistas os cantores e compositores Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção, as cantoras Tetê Espíndola, Ná Ozzetti, Vânia Bastos e Eliete Negreiros e os grupos Língua de Trapo, Rumo e Premeditando o Breque.

Um dos que obtiveram maior sucesso popular foi o Premeditando o Breque, que ficou mais conhecido como Premê. Surgido na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), o grupo contava originalmente com Mário Manga, Igor Lintz Mauês, M. Marcelo Galbetti e Claus Petersen. A eles se juntou, em seguida, Wandi Doratiotto.

O Premê começou a ficar conhecido a partir de apresentações no Teatro Lira Paulistana (Rua Teodoro Sampaio, no bairro de Pinheiros), que, à época, se tornou o epicentro da movimentação artística na capital paulista. O profícuo trabalho do quinteto o levou a ser tomado como referência de música inventiva naquele período.

Toda a produção do grupo, registrada em sete CDs, sob os títulos Premeditando o breque, Quase lindo, O melhor dos iguais, Grande coisa, Alegria dos homens, Vivo e Como vencer na vida fazendo música estranha, está sendo relançada pelo Selo Sesc e reunida na Caixinha do Premê, para comemorar os 40 anos do Premeditando o Breque. O sétimo traz músicas conhecidas do púbico, mas nunca antes gravadas em outro álbum, como Valsa didática, Casa de massagem e Zuleica Gaspar. As duas últimas haviam sido censuradas nos anos 1980. Casa de Massagem ganhou clipe.

A Caixinha do Premê — um rico acervo histórico — traz também um encarte com 96 páginas, que conta toda a trajetória da trupe. O material é permeado por fotos de shows e de festivais com a participação do grupo, em São Paulo e cidades do interior paulista e foi remasterizado aqui na Classic Master pelo Carlos Freitas.

Um disco sobre luta

por Claudia Dalmuth (claudia@onacional.com.br)

Levantando questões de cunho social, banda gaúcha Picanha de Chernobill lança no dia 23 de agosto seu quarto álbum de estúdio, intitulado “Sobrevive”

Entre afiados riffs de guitarra e um baixo que salta aos ouvidos, em “Hey Você!”, faixa que abre a nova fase da banda Picanha de Chernobill, as letras incentivam o público a “abrir a porta e dar o fora”. O conselho vem de quem entende do assunto. Embora tenha sido formada em Porto Alegre no ano de 2009, há seis anos a banda resolveu juntar as malas e ultrapassar as fronteiras do Rio Grande do Sul, estabelecendo raízes na capital paulista. Hoje, é justamente na rua para a qual convidam os ouvintes onde eles têm encontrado um importante palco para mostrar o trabalho autoral que desenvolvem, mesclando rock, blues, folk e música brasileira de raiz.

Basta navegar por poucos minutos nas redes sociais do trio para encontrar dezenas de comentários de quem teve o primeiro contato com o som da banda enquanto passava pela Avenida Paulista, onde eles tocam com frequência. “Gostava de ouvir vocês da janela de onde eu trabalhava, lá no centro de São Paulo. Não trabalho mais no centro, mas agora escuto todos os dias no fone de ouvido”, comentava uma das admiradoras, em um dos clipes da Picanha.

Nestes espaços públicos, mais do que ouvintes, a banda coleciona também inspirações para os álbuns, que frequentemente levantam debates de cunho social. Enquanto o terceiro álbum de estúdio, “O Conto, a Selva e o Fim”, apresenta a história de um trabalhador que deixa a esposa e a filha para tentar a vida na cidade grande, o contexto de batalha permeia novamente o quarto e novo disco, “Sobrevive”, que será lançado no dia 23 deste mês em formato físico pelo Selo180 e em formato digital pelo ONErpm.

No novo trabalho, o baixista Matheus Mendes, o guitarrista Chico Rigo e o baterista Leonardo Ratão entregam oito faixas que versam, principalmente – como indica o nome –, sobre questões relativas à sobrevivência. “O conceito do disco é de luta, mesmo. Resistência. Sobrevivência. Muitas das músicas falam sobre situações sociais comuns aos brasileiros”, apresenta Ratão, uma figura conhecida do público passo-fundense que acompanha o cenário autoral da região. Apesar de agora residir em São Paulo junto com o restante da banda, Ratão viveu por bons anos em Passo Fundo, onde foi responsável por fundar um projeto que acontece até hoje e, inclusive, carrega seu apelido: o Ensaio Aberto da Toca do Ratão, evento cujo principal objetivo é fornecer aos artistas locais um espaço onde possam mostrar seus trabalhos.

Não é difícil perceber que, quando falam em luta, os músicos falam não somente das vozes que vêm das ruas, mas também de suas próprias histórias. “A banda toda é gaúcha. O Chico é de Nova Prata, o Matheus de Porto Alegre e eu sou natural de David Canabarro”, começa Ratão, explicando sobre as mudanças que os levaram até São Paulo. “Em 2012, eles vieram para SP – eu não fazia parte da banda na época – fazer uma turnê no interior paulista. Depois disso, decidiram migrar de maneira definitiva, em 2013, por questão de oportunidades, para que a banda crescesse. São Paulo é centro do país, onde tudo acontece em todas as áreas, inclusive a artística e cultural. Tem sido bom estar aqui, mas não deixa de ser trabalhoso e custoso. Trabalhar com arte em um país como o nosso, onde ela não é valorizada pela grande massa, não é incentivada por governantes, é uma luta. Uma luta quase diária para poder mostrar o quanto tem relevância, o quanto isso é importante e deveria ser valorizado. Trabalhar com qualquer arte é teimosia”, resume.

“É um disco de rock and roll”

Embora evitem encaixar o estilo do grupo em um gênero específico – “é complicado definir porque nós passamos por vários gêneros, usamos até uma viola caipira”, explica o baterista –, “Sobrevive” é inegavelmente um disco de rock. “Ele tem uma estética voltada para power trio. Tem alguns elementos a mais, um pouquinho de percussão, mas como um todo é um disco que você pode tocar todas as músicas no nosso formato. Nós somos um trio, gravamos como um trio, e esse disco nos permite tocá-lo inteiro sem precisar chamar alguém para fazer um determinado instrumento ou alguma outra coisa que, por acaso, tenha sido gravada. Resumindo, é um disco de rock and roll, conciso”, detalha Ratão.

A exemplo de trabalhos anteriores, a produção foi viabilizada por meio de financiamento coletivo, que contou com a contribuição de 183 pessoas. Em troca, elas receberam recompensas equivalentes ao valor da doação. Neste clima de banda independente, não foi somente no aspecto diretamente financeiro que o apoio do público fez a diferença. Para que o novo trabalho pudesse ser lançado, ainda de acordo com o que relata Ratão, o grupo gaúcho contou com a ajuda de um amigo de longa data. “O disco foi gravado na Fazenda Rosário, situada na cidade de Itú, aqui em São Paulo. A fazenda é de um amigo nosso, o Fernando Cunha Lima, que já nos emprestou o espaço outras vezes. Para o ‘Sobrevive’, estivemos lá duas vezes. Uma, para gravar. Outra, para produzir. Inclusive, a produção é toda da própria Picanha. Nós mesmos moldamos as músicas como achamos melhor. Quem fez a mixagem foi o nosso baixista, o Matheus Mendes”.

Agora, prestes a divulgar o trabalho nas principais plataformas de streaming, eles contam estar ansiosos para voltar às terras gaúchas, de onde têm estado afastados há um bom tempo. “Queremos excursionar. O Brasil é gigante, às vezes dificulta um pouco, mas a nossa ideia é essa: pegar a estrada e tocar em todos os estados, conhecer o nosso país com a nossa banda e fazendo o nosso som. Por enquanto, no Sul, estamos somente com uma mini turnê marcada no Paraná e Santa Catarina. Não há nada certo para o Rio Grande do Sul, mas estamos em conversação. Se der certo, com certeza, faremos questão de tocar em Passo Fundo”, adianta.

O novo projeto do Picanha de Chernobil foi masterizado aqui na Classic Master pelo carlos Freitas.

Streaming de alta resolução da Apple chegou com o novo programa Apple Digital Masters.

Streaming de alta resolução da Apple chegou com o novo programa Apple Digital Masters.

A Apple pegou seu tesouro de áudio masterizados para MFiT de alta resolução e lançou uma nova “iniciativa” chamada Apple Digital Masters.

Os detalhes são vagos e o único anúncio chegou até agora pela Billboard, mas um componente de streaming de alta resolução da Apple tem sido sussurrado por muito tempo.

Faz sentido que a empresa colecione musicas masterizadas em alta resoluçãodesde 2012 sob o programa Mastered For iTunes, ou MFIT.

No MFIT, a resolução preferida para o envio foi de 96kHz / 24 bits, mas a Apple realmente considera que tudo o que é de 24 bits é de alta resolução.  

A Apple afirma que a maioria dos principais lançamentos da Apple Music atualmente está disponível como Apple Digital Masters, com cerca de 75% dos Top 100 dos EUA e 71% dos Top 100 criados globalmente pelo programa e está sugerindo que mais do catálogo seja convertido em “Apple Digital Masters” em breve.

Existem outros serviços de streaming que oferecem músicas de alta resolução, principalmente o Tidal, mas também o Deezer, o Qobuz e o Primephonic. A diferença é que você paga mais (geralmente US $ 19,95) para acessar as músicas de alta resolução sem perdas nesses serviços.

Tudo Indica que você não pagará nada extra para receber uma experiência semelhante no Apple Music a partir de agora.

Desde 2008, a Classic Master faz parte do seleto grupo de estúdios de masterização ao redor do mundo homologados pela Apple para oferecer o serviço “Apple Digital Masters” (Anteriormente M=”Masterizado para o iTunesMFiT) mantendo em nosso arquivos, todas as masterizações feitas a partir de 2008 masterizadas para esse formato.