Fernanda Takai volta ao cancioneiro de Tom Jobim em DVD gravado em cartão-postal do Rio.

Por Mauro Ferreira G1

Em junho de 2018, quando Fernanda Takai lançou álbum em que deu voz ao cancioneiro do compositor carioca Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994), uma gravação em especial sobressaiu entre as 13 faixas do disco O Tom da Takai.

Bonita (Antonio Carlos Jobim, Gene Lees e Ray Gilbert, 1964) soou realmente bela, inclusive por expor a refinada interação entre a musicalidade de Marcos Valle e a de Roberto Menescal, compositores aos quais foi confiada a produção deste disco solo da vocalista do grupo Pato Fu.

Por isso mesmo, soa natural que Bonita seja a música escolhida para ser o primeiro single do registro audiovisual do show baseado no álbum O Tom da Takai.

Na gravação ao vivo de Bonita, o diálogo musical entre Menescal (guitarra) e Valle (piano e teclados) é desenvolvido no arranjo executado pela banda que também inclui os músicos Caio Plínio (bateria), Diego Mancini (baixo), Fernando Merlino (teclados) e Thiago Delegado (violão).

Capa do single ‘Bonita ao vivo’, de Fernanda Takai — Foto: Divulgação

Disponível desde sexta-feira, 8 de novembro, o single Bonita ao vivo chega ao mercado fonográfico duas semanas antes do álbum e DVD O Tom da Takai ao vivo, cujo lançamento está programado para 22 de novembro pela gravadora Deck.

Feita em julho deste ano de 2019, a gravação ao vivo do show aconteceu em ambiente intimista, em hotel do Rio de Janeiro (RJ), cidade natal da Bossa Nova, com vista para o mar.

A intenção foi ambientar o show em cartão-postal que remeta às origens da música do carioca Jobim. “Essa paisagem remonta aos tempos do surgimento da Bossa Nova. Mar, montanha, céu, amigos tocando juntos de um jeito bem despretensioso, num lugar lindo”, descreve Fernanda Takai.

Marília Pêra deixa registro de valentia no canto de metade do álbum ‘Por causa de você’

Perfeito entendimento das letras contrapõe a vulnerabilidade da voz em seis das 12 músicas do disco que artista não teve tempo de concluir.

Por Mauro Ferreira G1

Eternizada como uma das melhores atrizes do Brasil e do mundo, Marília Marzullo Pêra (22 de janeiro de 1943 – 5 de dezembro de 2015) foi feiticeira dos palcos que também deixou encanto em discos.

A obra fonográfica da artista carioca ganha título póstumo neste ano de 2019, Por causa de você, álbum posto no mercado nesta sexta-feira, 1º de novembro, com 12 músicas.

Seis são ouvidas na voz já fragilizada de Marília, gravadas quando a atriz-cantora já driblava os efeitos do câncer que a tirou de cena há quase quatro anos.

A rigor, o que se ouve no disco são vozes-guias dessas seis faixas, registros da valentia dessa artista singular que não teve tempo de entrar no estúdio da gravadora Biscoito Fino para pôr as vozes definitivas nas 12 músicas do disco arquitetado por Kati Almeida Braga para reacender a chama da artista.

Por força das circunstâncias, o disco inacabado acabou concluído com as vozes de familiares e amigos de Marília em solução coerente com a disposição da atriz de sempre procurar trabalhar dentro do círculo pessoal de afetos.

Capa do álbum ‘Por causa de você’, de Marília Pêra — Foto: Divulgação

Também por força das circunstâncias, o álbum Por causa de vocêresulta aquém do descomunal talento de Marília Pêra, como mostram os registros do bolero bilíngue A cara do espelho (Nelson Motta e Guto Graça Mello, 1975), da canção Lua e flor (Oswaldo Montenegro, 1988) – composta para peça Brincando em cima daquilo, encenada pela artista com sucesso entre 1984 e 1985 – e dos sambas-canção Risque (Ary Barroso, 1953), Duas contas (Garoto, 1955) e Por causa de você(Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1957).

Contudo, mesmo que a vulnerabilidade da voz sobressaia nas interpretações impregnadas de melancolia, há um perfeito entendimento do sentimento das letras, até natural no canto de grande atriz do porte de Marília. Essa compreensão precisa é exemplificada pelo canto de Não me deixes mais, versão em português – escrita pelo poeta letrista Fausto Nilo – da desesperada canção belga Ne me quitte pas(Jacques Brel, 1959).

Confiada a José Milton, a produção musical do álbum Por causa de vocêenquadra as 12 faixas na moldura tradicionalista típica dos discos formatados por Milton com músicos como o pianista Cristovão Bastos (autor dos arranjos), o violonista João Lyra e o baixista Jorge Helder. Milton se aventura como cantor em dueto com a artista na música-título Por causa de você.

Entre as seis faixas ouvidas nas vozes dos familiares e amigos da artista, merece menção o registro de Chinelinho chinfrim, letra escrita por Marília nos anos 1970 com música de Guilherme Lamounier (1950 – 2018).

A intenção da cantora é que a música fosse gravada pelo grupo feminino As Frenéticas, integrado pela irmã da atriz, Sandra Pêra. Escrita com certa irreverência, Chinelinho chinfrim nunca ganhou as vozes das Frenéticas, permanecendo inédita em disco até ser recuperada para esse álbum.

Sandra Pêra lidera o time de intérpretes que inclui as filhas de Marília, Esperança Mota e Nina Morena, além de atores como Ney Latorraca e Arlete Salles.

Enfim, o álbum Por causa de você certamente tem valor documental para eternos seguidores da artista, mesmo sem expor o potencial dramático do canto da atriz.

Marília Pêra tinha tanto talento que a iniciativa é louvável. Mas seria mais importante a reposição em catálogo de títulos viçosos da discografia da artista, como os álbuns A noiva do condutor (1985) – registro de ópera até então inédita do compositor carioca Noel Rosa (1910 – 1937) que Marília gravou com o ator Grande Otelo (1915 – 1993) e o Conjunto Coisas Nossas – e Elas por ela (1990), editado com a trilha sonora do espetáculo musical de 1987 em que Marília Pêra deu voz e corpo a cantoras como Carmen Miranda (1909 – 1955), Dalva de Oliveira (1917 – 1972) e Wanderléa.


Ney Matogrosso cai no samba de Gonzaguinha em gravação feita para novela

Ney Matogrosso despontou no mesmo ano, 1973, em que Gonzaguinha (1945 – 1991) lançou o primeiro álbum. Curiosamente, o cantor nunca gravou música do compositor na extensa discografia. Somente por essa razão, o registro fonográfico do samba Comportamento geral na voz de Ney já tem relevância.

O cantor gravou Comportamento geral para a trilha sonora da novela Éramos seis, exibida pela TV Globo no horário das 18h. A novela é de época, mas Ney optou por cantar em tom contemporâneo esse politizado samba lançado por Gonzaguinha em compacto simples de 1972. A gravação está disponível em single desde sexta-feira, 25 de outubro.

BaianaSystem entra no sertão hip-hop de Rapadura com ‘Olho de boi’

Por Mauro Ferreira G1

Rapper nascido há 35 anos em Fortaleza (CE), Francisco Igor Almeida do Santos – conhecido artisticamente como RAPadura Xique-Chico ou simplesmente Rapadura – costuma versar sobre signos da cultura nordestina. 

Sete meses após o single Quebra-queixo, lançado em março com produção musical de Carlos Cachaça, Rapadura apresenta Olho de boi em single disponibilizado na sexta-feira, 18 de outubro. 

Desta vez, o som de Rapadura ganha com o toque arretado da BaianaSystem, banda soteropolitana que assina a música inédita em parceria com o cantor e compositor cearense. Mas o produtor musical é o mesmo Carlos Cachaça de Quebra-queixo.

Capa do single ‘Olho de boi’, de Rapadura e BaianaSystem — Foto: Divulgação / ONErpm

Em Olho de boi, o sertão hip-hop de Rapadura ganha leve ar psicodélico na gravação dessa música que figura no repertório autoral do álbum que Rapadura lançará em 2020. 

No dicionário nordestino, olho de boi é semente usada contra mau-olhado por ser vista como catalisadora de energia. No estúdio, a música Olho de boi foi formatada em tese com latinidade evocativa do universo indígena da América do Sul. 

Olho de boi é um canto do povo. É a nossa alegria e força em uma mesma pancada. O Nordeste é um universo paralelo muito mais além”, vislumbra Rapadura. 

O clipe resultante do single Olho de boi foi gravado na Caverna do Diabo, em Petar (SP), mixado no estúdio Corredor X no Rio de Janeiro por Renato Alscher e masterizado aqui na Classic Master por Carlos Freitas.

‘Diaba’: Urias lança o primeiro single de seu EP

Urias lançou recentemente o primeiro single de seu novo EP que está sendo lançado hoje.

‘Diaba’ é uma composição da própria artista em parceria com Hodari, Gorky, Maffalda e Zebu.

O clipe é dirigido por João Monteiro e produção da UMANA e foi masterizado aqui na Classic Master pelo Carlos Freitas.

A ideia da cantora é afrontar quem tem preconceito contra mulheres trans. Urias é uma das melhores amigas de Pabllo Vittar. As duas inclusive possuem a faixa ‘Ouro’ juntas, no álbum “Não Para Não”, o segundo da drag.

Confira o vídeo:

Zeca Baleiro expõe ‘Retrato de família’ na capa do álbum ‘O amor no caos 2’

Disco tem parceria póstuma do artista com poeta francês e música gravada com a cantora Diana Pequeno.

Arte de Maria Luísa Serra de Castro

Esta é a capa do álbum O amor no caos volume 2, de Zeca Baleiro. Programado para ser lançado em 11 de outubro, o disco expõe na capa a tela Retrato de família, obra da artista plástica maranhense Maria Luísa Serra de Castro. 

No segundo volume deste 10º álbum solo de estúdio, Baleiro apresenta nove composições autorais, sendo sete assinadas somente pelo cantor, compositor e músico maranhense. 

Uma delas, a balada Sete vidas, já foi apresentada em agosto em singleque anunciou oficialmente a edição do volume 2 do álbum O amor no caos

Neste segundo volume, cujo lançamento acontece cinco meses após o primeiro volume (cuja capa também expõe obra de artista plástico maranhense), Baleiro convida as cantoras Diana Pequeno (com quem gravou Canção na chuva), Jade Baraldo (presente na música Quando cheiro flores) e Tatiana Parra (em Riverside Road). 

O repertório do álbum O amor no caos volume 2 também inclui Eu chamo de coragem – parceria de Baleiro com o maranhense Marcos Magah – e Rondel, música composta por Baleiro sobre versos do poeta francês Tristan Corbière (1845 – 1875) e gravada com a participação da cantora portuguesa Susana Travassos.

Projota lança gravação inédita de ‘Cobertor’ com Vitão e Giulia Be

Single promove o encontro dos artistas em show programado para 5 de outubro no Rock in Rio.

Por Mauro Ferreira G1

Os inéditos encontros de artistas na edição de 2019 do Rock in Rio, programados para o Palco Sunset, estão gerando singles também inéditos para promover essas uniões antes dos shows propriamente ditos. 

Projota segue a tendência e lança nesta sexta-feira, 27 de setembro, single com gravação inédita da música Cobertor (Projota, Danilo Valbusa, Pedro Caropreso e Diego Silveira, 2014). 

Gravada em agosto, em estúdio da cidade de São Paulo (SP), essa versão junta o rapper paulistano com Giulia Be – cantora e compositora carioca surgida em 2017 que ganhou visibilidade neste ano com a edição em fevereiro do single Too bad (Giulia Be, Gino Martini Neto, Andre Dazzo e Mayra Arduini, 2019) – e com Vitão, cantor e compositor paulistano que também transita pelo rap. 

Cobertor, para quem não liga o nome ao hit, é a música lançada há cinco anos por Projota com Anitta, como single do segundo álbum de estúdio da cantora, Ritmo perfeito (2015). 

O encontro de Projota com Giulia Be e Vitão no Palco Sunset está programado para 5 de outubro, penúltimo dia do Rock in Rio 2019.

Cobertor foi masterizado aqui na Classic Master pelo Carlos Freitas.

MPB & SAMBADélia Fischer é indicada ao Grammy Latino pelo álbum “Tempo Mínimo”

Tempo Mínimo, um disco elogiado mundo afora, duas turnês europeias em menos de três meses e a indicação ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Brasileira. Esse é apenas um resumo rápido do que tem sido o ano de 2019 para a cantora e compositora Délia Fischer.

Enquanto aguarda o embarque para Los Angeles, onde acontecerá a cerimônia de premiação do Grammy Latino, marcada para o dia 14 de novembro, Délia saboreia a indicação: “Por mais tempo e esforço que eu tenha dedicado nos últimos anos ao meu trabalho de compositora, cantora e instrumentista, a dificuldade para se ‘chegar lá’ é grande”, avalia. “Não sou uma novinha ‘revelação’ e estou longe de ser uma consagrada. Por isso, há uma felicidade maior em saber que houve uma escuta criteriosa de ‘Tempo Mínimo’, um álbum que foi feito com todo amor e os maiores e melhores colaboradores possíveis, com todo esmero no som e nos arranjos”.

Ao lado dela, concorrem na mesma categoria Zeca Baleiro* (O Amor no Caos), Nana Caymmi* (Nana Caymmi Canta Tito Madi), Zélia Duncan (Tudo é Um), Jards Macalé(Besta Fera) e Gilberto Gil (OK OK OK).

“Sem dúvida, a parte mais incrível é estar nesse rol da MPB, principalmente ao lado do Deus Gil, que é uma das maiores referências da canção para mim e para todo mundo, tenho certeza”, frisa a artista.

Grammy Latino chega em um momento para lá de especial. Desde que lançou o disco, em abril, Délia não para em casa. Nas duas turnês pela Europa, ela tocou para públicos majoritariamente locais. O triunfo no Velho Continente contou com apresentações consagradoras em palcos da Alemanha (Karlsruhe e Frankfurt), Itália (Turim, Roma e Nápoles) e Portugal (Lisboa e Amarante, dentro do prestigiado MIMO Festival). Foi dessa maneira que ela comemorou seus 30 anos de estrada. Melhor, impossível!

Em agosto, a festança aconteceu em sua cidade natal, o Rio de Janeiro, através do Festival Levada 2019. Com um detalhe: ela foi a única artista a tocar em duas noites. O show é o resultado de mais de oito anos de dedicação ao novo disco, que acentuou a sua faceta de cantora, em um repertório quase integralmente autoral.

“Nos dias de hoje, quando a atenção dedicada a qualquer experiência cognitiva ou estética não dura mais que 30 segundos, apropriar-se do tempo e de seu valor talvez seja um gesto muito mais revolucionário do que se poderia imaginar”, destacou o crítico italiano Massimo Milano, estudioso da música japonesa e brasileira, sobre o trabalho da artista.

Em tempos de mídias digitais, o público de Délia Fischer continua rigoroso e não perde o costume de ouvir CD à moda antiga. Por isso, o álbum físico está à venda em todas as unidades da Livraria da Travessa, no Rio. Nesse trabalho, Délia trouxe a palavra para o primeiro plano, depois de dedicar muito tempo de sua carreira à seara instrumental, seja como artista ou produtora. São faixas como Orgia, Samba Mínimo, Tanto Faz, Canção de Autoajuda e a regravação de Garra, dos irmãos Paulo Sérgio Valle e Marcos Valle, este último presente na própria faixa.

Já no palco, Délia Fischer vem se apresentando ao lado de dois músicos não menos talentosos: o baixista Matias Correa e do multi-instrumentista Antonio Fischer-Band. É a mesma formação que rodou com ela pelos palcos internacionais.

“São os parceiros perfeitos para o meu som”, acentua a artista, que é casada com Matias e mãe de Antonio.

Depois de mostrar Tempo Mínimo na Europa e no Rio de Janeiro, Délia Fischer entra para o panteão dos artistas indicados ao Grammy Latino: “Me sinto, antes de tudo, empolgada para continuar a seguir desafiando o tempo. Esse tempo que abre um portal de amor e reconhecimento pela música, por anos de dedicação incansável, ao som de todos os sentidos dele”, finaliza ela.

*Masterizado por Carlos Freitas aqui na Classic Master.

Iza e Alcione honram o legado soul de Aretha Franklin em gravação de ‘Chain of fools’

O acerto da gravação de Chain of fools (Donald Covay, 1968) nas vozes de Iza e Alcione surpreende somente quem desconhece os históricos dessas duas ótimas cantoras.

A carioca Iza é cria do universo do R&B norte-americano. Já a maranhense Alcione se diplomou como eclética cantora da noite, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), antes de ser lançada como “a voz do samba” em álbum de 1975 arquitetado por Roberto Menescal, então diretor artístico da gravadora Philips.

Capa do single ‘Chain of fools’, de Iza e Alcione

CD “TODO MÚSICA”, o primeiro álbum do cantor e compositor ENRICO DI MICELI

Por Ruy Godinho, Pesquisador, radialista e escritor. 

Eis que chega ao cenário fonográfico brasileiro um laivo de esperança, uma luz no fim do túnel, o CD Todo Música, primeiro solo do cantor e compositor amazônico Enrico Di Miceli, cultivado ao longo de três décadas de profícua carreira.

A causa de tamanho espanto, esperança e reconforto é que, sempre antecedido pelo canto do anun, as notícias que têm sido anunciadas para a área cultural não têm sido lá muito boas. Num cenário fonográfico direcionado por força do poder econômico, este álbum aporta como um alento, um canto alvissareiro de que as coisas boas estão latentes, vivas e que a qualquer momento podem pratear o céu como uma noite de lua cheia.

A impressão que se tem quando da primeira audição, é de que o disco não poderia ter outro nome: Todo Música. E que a faixa título representasse um autoelogio – bem que poderia. Mas, não é, foi composta em homenagem a Gilberto Gil– grande referência de Enrico – e que imprimiu todo o conceito da produção.

Mas, que o “cara é todo música”, é. Tanto que a produção se apresenta como uma vitrine da competência e da criatividade de Enrico Di Miceli, um compositor intuitivo, livre das amarras da teoria, rebelde, que vai e vem solto,em diversos gêneros. Compõe belas melodias que desfilam suas belezas nas já reconhecidas harmonias sofisticadas, que é um diferencial do compositor. No cardápio temos as baladas Todo música(c/Joãozinho Gomes) e Sebastiana (c/Zeca Preto), o bolero Beijo clandestino (c/Joãozinho Gomes), o funk Rita Santana (c/José Inácio Vieira de Melo), o marabaixo Pedra de Mistério(c/Osmar Jr.), os batuquesDançando com a sereia (c/Joãozinho Gomes) e Encontro dos tambores (c/Joãozinho Gomes e Leandro Dias), o reggae-marabaixo Língua intrusa (c/Joãozinho Gomes), o blues Idade não é documento(c/Eliakin Rufino), a balada-jazz Tenho você que me tem(c/Jorge Andrade), a balada pop Vale mais(c/Joãozinho Gomes) e o marabaixo Bacabeira (c/Cléverson Baía e Joãozinho Gomes). A única faixa não autoral é a balada-rock Dia quente (Zeca Baleiro/Joãozinho Gomes), tão constante no repertório de Enrico que não poderia ficar de fora. É de bom alvitre esclarecer que marabaixo e batuque são ritmos tradicionais da africanidade amapaense.O fato é que é difícil classificar só um gênero numa faixa, pelo fato de Enrico estar sempre buscando fundir os ritmos.

Não bastasse, o CD é valorizado com a pluralidade de parcerias, é enriquecido com a qualidade das letras dos parceiros,quase todos poetas amazônicos, que não desassociam letra de música de poesia: Joãozinho Gomes, Zeca Preto, Eliakin Rufino, Jorge Andrade e Osmar Jr., além do baiano José Inácio Vieira de Melo, que lhe presenteou com a letra de Rita Santana, composta em homenagem a uma atriz, poeta e ativista político-social baiana.

À propósito, Zeca Baleiro escreveu no encarte:

“O Norte tem sido a grande Meca da música brasileira nos últimos anos, tamanho é o arsenal de ritmos, caminhos harmônicos e sonoridades. E neste belo Todo Música, Enrico Di Miceli põe sua pitada de tempero ao grande banquete musical amazônico. Viva o rico mundo de Enrico! Enrico, sarava, irmão!”

Nas gravações, Enrico Di Miceli escalou um time de virtuoses de Macapá, instrumentistas do mais alto nível, velhos conhecidos. São eles:Edson Costa (Fabinho) (guitarra), Alan Gomes (baixo), Hian Moreira (bateria) e o percussionista mais genuíno para os toques do marabaixo e do batuque, Nena Silva (percussão). A estes, Nilson Chaves, que fez a Produção Geral de Estúdio e a Direção Artística, arregimentou um reforço de primeira linha, de Belém, dentre eles:, Davi Amorim (guitarra e banjo), o próprio Nilson Chaves (violão de nylon), Adelbert Carneiro (baixo), Edgar Matos (teclados), Esdras de Souza (sopros), Edvaldo Cavalcante e Márcio Jardim (bateria), Kleber Benigno (Paturi) (percussão geral) e o quarteto de cordas formado por Bruno Valente (violoncelo), Rodrigo Santana (viola), Marcus Guedes e Ronaldo Sarmanho (violinos).

Parte dos arranjos foram feitos por Alan Gomes, Edson Costa (Fabinho) e Hian Moreira; três faixas foram creditadas como ‘arranjo coletivo’, todos contribuindo com seus pitacos.Mas, também constam os arranjos de Nilson Chaves e de dois outros renomados ícones da música paraense: o baixista Adelbert Carneiro e o maestro Tynnoco Costa, este último responsável pelos arranjos de cordas.

O disco foi gravado e mixado no Estúdio APCE (Belém/PA), pelo técnico de gravação Assis Figueiredo, que também o mixou ao lado de Nilson Chaves. A masterização foi feita por Carlos Freitas (Classic Master, SP) e a produção executiva foi de Clícia Vieira Di Miceli.