BaianaSystem entra no sertão hip-hop de Rapadura com ‘Olho de boi’

Por Mauro Ferreira G1

Rapper nascido há 35 anos em Fortaleza (CE), Francisco Igor Almeida do Santos – conhecido artisticamente como RAPadura Xique-Chico ou simplesmente Rapadura – costuma versar sobre signos da cultura nordestina. 

Sete meses após o single Quebra-queixo, lançado em março com produção musical de Carlos Cachaça, Rapadura apresenta Olho de boi em single disponibilizado na sexta-feira, 18 de outubro. 

Desta vez, o som de Rapadura ganha com o toque arretado da BaianaSystem, banda soteropolitana que assina a música inédita em parceria com o cantor e compositor cearense. Mas o produtor musical é o mesmo Carlos Cachaça de Quebra-queixo.

Capa do single ‘Olho de boi’, de Rapadura e BaianaSystem — Foto: Divulgação / ONErpm

Em Olho de boi, o sertão hip-hop de Rapadura ganha leve ar psicodélico na gravação dessa música que figura no repertório autoral do álbum que Rapadura lançará em 2020. 

No dicionário nordestino, olho de boi é semente usada contra mau-olhado por ser vista como catalisadora de energia. No estúdio, a música Olho de boi foi formatada em tese com latinidade evocativa do universo indígena da América do Sul. 

Olho de boi é um canto do povo. É a nossa alegria e força em uma mesma pancada. O Nordeste é um universo paralelo muito mais além”, vislumbra Rapadura. 

O clipe resultante do single Olho de boi foi gravado na Caverna do Diabo, em Petar (SP), mixado no estúdio Corredor X no Rio de Janeiro por Renato Alscher e masterizado aqui na Classic Master por Carlos Freitas.

‘Diaba’: Urias lança o primeiro single de seu EP

Urias lançou recentemente o primeiro single de seu novo EP que está sendo lançado hoje.

‘Diaba’ é uma composição da própria artista em parceria com Hodari, Gorky, Maffalda e Zebu.

O clipe é dirigido por João Monteiro e produção da UMANA e foi masterizado aqui na Classic Master pelo Carlos Freitas.

A ideia da cantora é afrontar quem tem preconceito contra mulheres trans. Urias é uma das melhores amigas de Pabllo Vittar. As duas inclusive possuem a faixa ‘Ouro’ juntas, no álbum “Não Para Não”, o segundo da drag.

Confira o vídeo:

Zeca Baleiro expõe ‘Retrato de família’ na capa do álbum ‘O amor no caos 2’

Disco tem parceria póstuma do artista com poeta francês e música gravada com a cantora Diana Pequeno.

Arte de Maria Luísa Serra de Castro

Esta é a capa do álbum O amor no caos volume 2, de Zeca Baleiro. Programado para ser lançado em 11 de outubro, o disco expõe na capa a tela Retrato de família, obra da artista plástica maranhense Maria Luísa Serra de Castro. 

No segundo volume deste 10º álbum solo de estúdio, Baleiro apresenta nove composições autorais, sendo sete assinadas somente pelo cantor, compositor e músico maranhense. 

Uma delas, a balada Sete vidas, já foi apresentada em agosto em singleque anunciou oficialmente a edição do volume 2 do álbum O amor no caos

Neste segundo volume, cujo lançamento acontece cinco meses após o primeiro volume (cuja capa também expõe obra de artista plástico maranhense), Baleiro convida as cantoras Diana Pequeno (com quem gravou Canção na chuva), Jade Baraldo (presente na música Quando cheiro flores) e Tatiana Parra (em Riverside Road). 

O repertório do álbum O amor no caos volume 2 também inclui Eu chamo de coragem – parceria de Baleiro com o maranhense Marcos Magah – e Rondel, música composta por Baleiro sobre versos do poeta francês Tristan Corbière (1845 – 1875) e gravada com a participação da cantora portuguesa Susana Travassos.

Projota lança gravação inédita de ‘Cobertor’ com Vitão e Giulia Be

Single promove o encontro dos artistas em show programado para 5 de outubro no Rock in Rio.

Por Mauro Ferreira G1

Os inéditos encontros de artistas na edição de 2019 do Rock in Rio, programados para o Palco Sunset, estão gerando singles também inéditos para promover essas uniões antes dos shows propriamente ditos. 

Projota segue a tendência e lança nesta sexta-feira, 27 de setembro, single com gravação inédita da música Cobertor (Projota, Danilo Valbusa, Pedro Caropreso e Diego Silveira, 2014). 

Gravada em agosto, em estúdio da cidade de São Paulo (SP), essa versão junta o rapper paulistano com Giulia Be – cantora e compositora carioca surgida em 2017 que ganhou visibilidade neste ano com a edição em fevereiro do single Too bad (Giulia Be, Gino Martini Neto, Andre Dazzo e Mayra Arduini, 2019) – e com Vitão, cantor e compositor paulistano que também transita pelo rap. 

Cobertor, para quem não liga o nome ao hit, é a música lançada há cinco anos por Projota com Anitta, como single do segundo álbum de estúdio da cantora, Ritmo perfeito (2015). 

O encontro de Projota com Giulia Be e Vitão no Palco Sunset está programado para 5 de outubro, penúltimo dia do Rock in Rio 2019.

Cobertor foi masterizado aqui na Classic Master pelo Carlos Freitas.

MPB & SAMBADélia Fischer é indicada ao Grammy Latino pelo álbum “Tempo Mínimo”

Tempo Mínimo, um disco elogiado mundo afora, duas turnês europeias em menos de três meses e a indicação ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Brasileira. Esse é apenas um resumo rápido do que tem sido o ano de 2019 para a cantora e compositora Délia Fischer.

Enquanto aguarda o embarque para Los Angeles, onde acontecerá a cerimônia de premiação do Grammy Latino, marcada para o dia 14 de novembro, Délia saboreia a indicação: “Por mais tempo e esforço que eu tenha dedicado nos últimos anos ao meu trabalho de compositora, cantora e instrumentista, a dificuldade para se ‘chegar lá’ é grande”, avalia. “Não sou uma novinha ‘revelação’ e estou longe de ser uma consagrada. Por isso, há uma felicidade maior em saber que houve uma escuta criteriosa de ‘Tempo Mínimo’, um álbum que foi feito com todo amor e os maiores e melhores colaboradores possíveis, com todo esmero no som e nos arranjos”.

Ao lado dela, concorrem na mesma categoria Zeca Baleiro* (O Amor no Caos), Nana Caymmi* (Nana Caymmi Canta Tito Madi), Zélia Duncan (Tudo é Um), Jards Macalé(Besta Fera) e Gilberto Gil (OK OK OK).

“Sem dúvida, a parte mais incrível é estar nesse rol da MPB, principalmente ao lado do Deus Gil, que é uma das maiores referências da canção para mim e para todo mundo, tenho certeza”, frisa a artista.

Grammy Latino chega em um momento para lá de especial. Desde que lançou o disco, em abril, Délia não para em casa. Nas duas turnês pela Europa, ela tocou para públicos majoritariamente locais. O triunfo no Velho Continente contou com apresentações consagradoras em palcos da Alemanha (Karlsruhe e Frankfurt), Itália (Turim, Roma e Nápoles) e Portugal (Lisboa e Amarante, dentro do prestigiado MIMO Festival). Foi dessa maneira que ela comemorou seus 30 anos de estrada. Melhor, impossível!

Em agosto, a festança aconteceu em sua cidade natal, o Rio de Janeiro, através do Festival Levada 2019. Com um detalhe: ela foi a única artista a tocar em duas noites. O show é o resultado de mais de oito anos de dedicação ao novo disco, que acentuou a sua faceta de cantora, em um repertório quase integralmente autoral.

“Nos dias de hoje, quando a atenção dedicada a qualquer experiência cognitiva ou estética não dura mais que 30 segundos, apropriar-se do tempo e de seu valor talvez seja um gesto muito mais revolucionário do que se poderia imaginar”, destacou o crítico italiano Massimo Milano, estudioso da música japonesa e brasileira, sobre o trabalho da artista.

Em tempos de mídias digitais, o público de Délia Fischer continua rigoroso e não perde o costume de ouvir CD à moda antiga. Por isso, o álbum físico está à venda em todas as unidades da Livraria da Travessa, no Rio. Nesse trabalho, Délia trouxe a palavra para o primeiro plano, depois de dedicar muito tempo de sua carreira à seara instrumental, seja como artista ou produtora. São faixas como Orgia, Samba Mínimo, Tanto Faz, Canção de Autoajuda e a regravação de Garra, dos irmãos Paulo Sérgio Valle e Marcos Valle, este último presente na própria faixa.

Já no palco, Délia Fischer vem se apresentando ao lado de dois músicos não menos talentosos: o baixista Matias Correa e do multi-instrumentista Antonio Fischer-Band. É a mesma formação que rodou com ela pelos palcos internacionais.

“São os parceiros perfeitos para o meu som”, acentua a artista, que é casada com Matias e mãe de Antonio.

Depois de mostrar Tempo Mínimo na Europa e no Rio de Janeiro, Délia Fischer entra para o panteão dos artistas indicados ao Grammy Latino: “Me sinto, antes de tudo, empolgada para continuar a seguir desafiando o tempo. Esse tempo que abre um portal de amor e reconhecimento pela música, por anos de dedicação incansável, ao som de todos os sentidos dele”, finaliza ela.

*Masterizado por Carlos Freitas aqui na Classic Master.

Iza e Alcione honram o legado soul de Aretha Franklin em gravação de ‘Chain of fools’

O acerto da gravação de Chain of fools (Donald Covay, 1968) nas vozes de Iza e Alcione surpreende somente quem desconhece os históricos dessas duas ótimas cantoras.

A carioca Iza é cria do universo do R&B norte-americano. Já a maranhense Alcione se diplomou como eclética cantora da noite, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), antes de ser lançada como “a voz do samba” em álbum de 1975 arquitetado por Roberto Menescal, então diretor artístico da gravadora Philips.

Capa do single ‘Chain of fools’, de Iza e Alcione

CD “TODO MÚSICA”, o primeiro álbum do cantor e compositor ENRICO DI MICELI

Por Ruy Godinho, Pesquisador, radialista e escritor. 

Eis que chega ao cenário fonográfico brasileiro um laivo de esperança, uma luz no fim do túnel, o CD Todo Música, primeiro solo do cantor e compositor amazônico Enrico Di Miceli, cultivado ao longo de três décadas de profícua carreira.

A causa de tamanho espanto, esperança e reconforto é que, sempre antecedido pelo canto do anun, as notícias que têm sido anunciadas para a área cultural não têm sido lá muito boas. Num cenário fonográfico direcionado por força do poder econômico, este álbum aporta como um alento, um canto alvissareiro de que as coisas boas estão latentes, vivas e que a qualquer momento podem pratear o céu como uma noite de lua cheia.

A impressão que se tem quando da primeira audição, é de que o disco não poderia ter outro nome: Todo Música. E que a faixa título representasse um autoelogio – bem que poderia. Mas, não é, foi composta em homenagem a Gilberto Gil– grande referência de Enrico – e que imprimiu todo o conceito da produção.

Mas, que o “cara é todo música”, é. Tanto que a produção se apresenta como uma vitrine da competência e da criatividade de Enrico Di Miceli, um compositor intuitivo, livre das amarras da teoria, rebelde, que vai e vem solto,em diversos gêneros. Compõe belas melodias que desfilam suas belezas nas já reconhecidas harmonias sofisticadas, que é um diferencial do compositor. No cardápio temos as baladas Todo música(c/Joãozinho Gomes) e Sebastiana (c/Zeca Preto), o bolero Beijo clandestino (c/Joãozinho Gomes), o funk Rita Santana (c/José Inácio Vieira de Melo), o marabaixo Pedra de Mistério(c/Osmar Jr.), os batuquesDançando com a sereia (c/Joãozinho Gomes) e Encontro dos tambores (c/Joãozinho Gomes e Leandro Dias), o reggae-marabaixo Língua intrusa (c/Joãozinho Gomes), o blues Idade não é documento(c/Eliakin Rufino), a balada-jazz Tenho você que me tem(c/Jorge Andrade), a balada pop Vale mais(c/Joãozinho Gomes) e o marabaixo Bacabeira (c/Cléverson Baía e Joãozinho Gomes). A única faixa não autoral é a balada-rock Dia quente (Zeca Baleiro/Joãozinho Gomes), tão constante no repertório de Enrico que não poderia ficar de fora. É de bom alvitre esclarecer que marabaixo e batuque são ritmos tradicionais da africanidade amapaense.O fato é que é difícil classificar só um gênero numa faixa, pelo fato de Enrico estar sempre buscando fundir os ritmos.

Não bastasse, o CD é valorizado com a pluralidade de parcerias, é enriquecido com a qualidade das letras dos parceiros,quase todos poetas amazônicos, que não desassociam letra de música de poesia: Joãozinho Gomes, Zeca Preto, Eliakin Rufino, Jorge Andrade e Osmar Jr., além do baiano José Inácio Vieira de Melo, que lhe presenteou com a letra de Rita Santana, composta em homenagem a uma atriz, poeta e ativista político-social baiana.

À propósito, Zeca Baleiro escreveu no encarte:

“O Norte tem sido a grande Meca da música brasileira nos últimos anos, tamanho é o arsenal de ritmos, caminhos harmônicos e sonoridades. E neste belo Todo Música, Enrico Di Miceli põe sua pitada de tempero ao grande banquete musical amazônico. Viva o rico mundo de Enrico! Enrico, sarava, irmão!”

Nas gravações, Enrico Di Miceli escalou um time de virtuoses de Macapá, instrumentistas do mais alto nível, velhos conhecidos. São eles:Edson Costa (Fabinho) (guitarra), Alan Gomes (baixo), Hian Moreira (bateria) e o percussionista mais genuíno para os toques do marabaixo e do batuque, Nena Silva (percussão). A estes, Nilson Chaves, que fez a Produção Geral de Estúdio e a Direção Artística, arregimentou um reforço de primeira linha, de Belém, dentre eles:, Davi Amorim (guitarra e banjo), o próprio Nilson Chaves (violão de nylon), Adelbert Carneiro (baixo), Edgar Matos (teclados), Esdras de Souza (sopros), Edvaldo Cavalcante e Márcio Jardim (bateria), Kleber Benigno (Paturi) (percussão geral) e o quarteto de cordas formado por Bruno Valente (violoncelo), Rodrigo Santana (viola), Marcus Guedes e Ronaldo Sarmanho (violinos).

Parte dos arranjos foram feitos por Alan Gomes, Edson Costa (Fabinho) e Hian Moreira; três faixas foram creditadas como ‘arranjo coletivo’, todos contribuindo com seus pitacos.Mas, também constam os arranjos de Nilson Chaves e de dois outros renomados ícones da música paraense: o baixista Adelbert Carneiro e o maestro Tynnoco Costa, este último responsável pelos arranjos de cordas.

O disco foi gravado e mixado no Estúdio APCE (Belém/PA), pelo técnico de gravação Assis Figueiredo, que também o mixou ao lado de Nilson Chaves. A masterização foi feita por Carlos Freitas (Classic Master, SP) e a produção executiva foi de Clícia Vieira Di Miceli.

Chico César oscila entre o amor e a guerra em disco pautado por fartura instrumental

Com repertório inteiramente autoral, o 12º álbum solo do cantor e compositor paraibano tem faixas com seis, sete e até oito minutos.

Por Mauro Ferreira G1

O título do 12º álbum solo de Chico César, O amor é um ato revolucionário, faz supor disco em sintonia com a ideologia pacifista do líder indiano Gandhi (1869 – 1948). As audições das 13 inéditas e autorais – todas compostas solitariamente pelo artista paraibano, sem parceiros – desfazem a impressão. 

Grande compositor projetado na primeira metade da década de 1990, Chico César oscila entre o amor e a guerra na criação de repertório gravado com arranjos de fartura instrumental – há faixas com seis, sete e até oito minutos! – que se alinham com a verborragia das músicas ao mesmo tempo em que contrastam com a escassez melódica de algumas composições. 

Na impaciente Eu quero quebrar, o artista revela o desejo de partir para a ação, de “tirar a ira do papel”, em arranjo que culmina com evocação do universo do soul e da música gospel norte-americana.

Capa do álbum ‘O amor é um ato revolucionário’, de Chico César

No reggae Pedrada, produzido por Eduardo BiD, Chico encarna espécie de Bob Marley (1945 – 1981) do sertão paraibano que fala na Babilônia enquanto vocifera contra os “cães danados do fascismo” que ajudaram a chocar “o ovo da serpente“, “fruto podre do cinismo“. 

Entre as mutações experimentadas ao longo das 14 faixas do longo álbum (Eu quero quebrar é reprisada ao fim do disco em outra gravação produzida por André Abujamra), Chico César soa mais fluente quando dialoga com a canção popular na viciante History, música produzida por Marcio Arantes e já previamente lançada em single

No álbum, History dialoga com Like, outra canção sobre o amor nos tempos virtuais. “Quando curto essas besteiras que você posta / Às vezes, eu me sinto um bosta / Mas eu gosto / Pois eu sei que você gosta”, rima Chico com a simplicidade típica dos hits populares. 

Feitas em ritmo mais frenético pela voz encorpada de Chico, as rimas de Lok ok sobressaem sem deixar de evidenciar a sonoridade de arranjo que destaca guitarra de toque africano. E por falar na África, o cantor exalta em As negras as mulheres que trazem o “axé vital” do continente matricial em faixa em que música e letra evoluem em fina sintonia.

Em O homem do cobertor poluído, o cantor faz evocação pálida do cancioneiro folk rock de outro engajado Bob, o Dylan, para versar com acidez sobre os pequenos burgueses, também alvos da lúdica Cruviana. Nesta faixa, Chico César e a cantora pernambucana Flaira Ferro caricaturam os vocais para forjar a aura de cabaré circense.

Já Luzia negra – composição (sobre o ancestral fóssil humano do Museu Nacional do Rio de Janeiro) formatada com sete minutos na produção musical orquestrada por André Kbelo Sangiacomo com o próprio Chico César – exemplifica a verborragia e as longas passagens instrumentais com que são apresentadas várias músicas do repertório do álbum O amor é um ato revolucionário

É tanta palavra em Minha morena – convite ao amor sensual – que a letra parece sobrar na melodia dessa música de oito minutos justificados pelo clima jazzy adotado na parte final da gravação. 

Se o rock Mulhero (assim mesmo, com um o acrescido à palavra mulher) desperdiça tempo em jogo de palavras, De peito aberto manda recado feminista, de forma mais certeira e direta, aos “manés” que desrespeitam os direitos das mulheres governarem o próprio corpo e a própria vida. Chico dá o recado com o agudo reforço vocal da cantora paraibana Agnes Nunes.

Sim, Chico César sabe tomar posição e partido sem deixar de ser amoroso quando quer. Na música-título O amor é um ato revolucionário, o artista discorre sobre a natureza do amor após a introdução instrumental de um minuto e 20 segundos que remete ao universo ibérico latente na nação musical nordestina. 

Guitarras e um coro de acento gospel sobressaem ao longo dos mais de sete minutos dessa faixa que representa o tom opulento de disco em que Chico César às vezes peca por excessos na revolução que propõe fazer com amor e com ação. 

Siba solta o verbo no pio engajado e visionário do álbum ‘Coruja muda’

Por Mauro Ferreira G1

Terceiro álbum solo de Siba Veloso, Coruja muda é disco engajado que ousa dizer o que vê no Brasil de 2019. O pio politizado de Coruja muda protesta sem jamais adotar discurso panfletário ou clichê no inédito repertório autoral assinado pelo cantor, compositor e músico pernambucano. 

Mas está tudo dito em Coruja muda para quem quiser ouvir o recado do disco produzido e mixado por Siba com João Noronha e masterizado pelo Carlos Freitas aqui na Classic Master.

Nesse sentido, os dois singles que antecederam a edição do álbum – o frevo abolerado Barato pesado (apresentado em fevereiro) e o coco Tempo bom redondin (lançado em agosto) – são pistas quase falsas do tom de Coruja muda, cuja música-título traz a voz de Chico César. 

Se a cama instrumental é armada com temperatura amena, aclimatando o disco a partir da abordagem de ritmos pernambucanos com os toques suaves das guitarras de Siba e Lello Bezerra, a parte literária alicerça e alavanca o álbum. 

Siba parte da analogia entre os animais e o bicho homem – mote de Só é gente quem se diz – para radiografar o povo do Brasil em 2019. “Dos bichos da criação a aranha é a mais feia / Mas ela tem uma teia de boa conexão / Que é pra ter informação de todo bicho esquisito / Não posta fake do mito e nem vídeo de alguém que apanha / A internet da aranha só pega mosca ou mosquito“, correlaciona nos versos de Só é gente quem se diz.

Após três álbuns com o grupo Mestre Ambrósio e dois com a banda A Fuloresta do Samba, o rabequeiro Siba propaga a voz da liberdade sem dar nomes aos bois no baque solto de Carcará de gaiola

Já O que não há versa sobre a violência muda do povo apático que se recusa a entrar em campo para tentar virar o jogo que se mostra perdido em Meu time. Com o detalhe de que as letras sempre sobressaem em relação às melodias. 

Com a voz e o trombone recorrentes de Mestre Nico, Siba fez disco que transita musicalmente entre coco, embolada e ritmos da zona da mata pernambucana com toques afro-indígenas. 

Da nação africana, a propósito, vem Azda (1971), jingle do cantor e compositor congolês Franco vertido por Siba para o português com o título de Vem batendo asa. A faixa flui com leveza no toque afro das guitarras. E, entre tantas guitarras, a de Arto Lindsay ajuda a calçar Tamanqueiro

Enxergando a realidade com a lente limpa de quem pensa no coletivo, Siba fala o que pensa em Coruja muda

Artistas do Pará se reúnem para gravar músicas típicas da região.

Por Mauro Ferreira G1

Atração do Palco Sunset do Rock in Rio 2019 na programação de 3 de outubro, o coletivo intitulado informalmente Pará pop – nome que reforça a origem de Dona Onete, Fafá de Belém, Gaby Amarantos, Jaloo e Lucas Estrela – se reuniu no Red Bull Music Studios, na cidade de São Paulo (SP), para gravar medley com três músicas típicas desse estado do Norte do Brasil.

Feita para promover a apresentação da trupe paraense no festival, a gravação agrega duas músicas do repertório do cantor e compositor também paraense Augusto Gomes Rodrigues (1916 – 2009) – o autoproclamado Rei do carimbó conhecido pelo nome artístico de Mestre Verequete – e uma composição de autoria de Dona Onete.

De Verequete, Dona Onete, Fafá de Belém, Gaby Amarantos, Jaloo e Lucas Estrelas gravaram Chama Verequete e Ilha do Marajó. Do cancioneiro de Onete, a escolhida foi Banzeiro, música que deu nome em 2016 ao segundo álbum da cantora e compositora.

O Single Pará Pop foi masterizado aqui na Classic Master pelo Carlos Freitas