No fim, o que vale mesmo é a jornada!

No dia 1 de fevereiro de 2001, eu acordei e já sabia que seria um dia muito especial, o inicio de uma nova fase em minha vida profissional e que eu me lembraria pelo resto da minha vida!

Voltando um pouco no tempo, em 1994, o Ricardo Carvalheira, o “Franja”, me convidou para fazer parte de um novo projeto, um estúdio de masterização e depois de 10 anos trabalhando como eng. de gravação e mixagem, minha curiosidade me levou a mudar de área de atuação no áudio e seguimos adiante com o novo projeto, a Cia de Audio, onde dividi os trabalhos com mais 4 eng. de masterização.

Fizemos grandes projetos durante 6 anos, porém nos especializamos mais em remasterizações para relançamentos em CD do que em novos lançamentos e isso me incomodava um pouco até que durante a minha participação na maratona de Nova York em novembro de 2000, veio em minha cabeça a idéia de buscar novos caminhos e resolvi montar a Classic Master, sozinho e com uma nova filosofia de trabalho e foco nos novos lançamentos.

No inicio, com o forte apoio do meu grande amigo e incentivador Pena Schmith e das gravadoras Trama e Abril Music, comecei a montar o projeto da Classic Master em janeiro de 2000.

Apresentei o projeto a Trama e a Abril Music e disse a eles que eu teria condições de atendê-los apenas a partir de maio, mas o João Marcelo da Trama e o Ricardo Cantaluppi da Abril me disseram para agilizar de alguma forma, pois não poderiam esperar e embora apoiassem meu projeto, procurariam outras opções..

Um pouco chateado, liguei para o meu amigo Dudu e contei a situação e ele me disse prontamente com muito entusiamo: “tenho uma idéia, por que você não fica aqui masterizando no nosso Estúdio até o seu Estúdio ficar pronto?”

Aceitei na hora e passei a noite reformatando o projeto inicial e resovi dividir em 3 etapas.

No dia seguinte levei parte do meu equipamento para o “Nosso Estudio” e no dia 1 de Fevereiro de 2000, a primeira etapa estava sendo iniciada com a masterização do primeiro CD na Classic Master, “Acústico MTV” (Abril Music) do Capital Inicial no estúdio principal do “Nosso Estúdio”, atual “Bocaina 72”, com o produtor Marcelo Sussekind.

“Acústico MTV” Capital Inicial – Abril Music (2001)

Eu masterizei ainda no “Nosso estúdio” os CDs “Assim que se Faz” da Luciana Mello (Trama), “Dis’ritmia” do Jair de Oliveira (Trama), “Voz no Ouvido” (Trama) e “Here There and Everywhere” da Rita Lee (Abril Music).

No inicio de maio, a segunda etapa estava sendo iniciada, agora na nova sede, porém em um estudio ainda provisório, com a masterização do CD “Sozinha Minha” da Adriana Maciel (Dubas 2001) com os meus amigos Sacha Amback e Walter Costa.

“As Segundas Intenções” Ed Motta – Universal Music (2001)

Muitos projetos foram finalizados nesse estudio provisório, como o CD “Manual Prático 2″ do Ed Motta (Universal 2001) e “Os Tribalistas” do Carlinhos Brown, Marisa Monte e Arnaldo Antunes e muita gente bacana que passou por aqui, sempre com muita diversão e entusiasmo durante as masterizações até o inicio da ultima etapa com a inauguração do Estúdio atua projetado pelo Egidio Condel.

E lá se foram 16 anos desde o dia 1 de fevereiro de 2000 e o que mais me marcou nesse período, foram as pessoas que passaram por aqui durante a finalização de cada projeto, que me permitiu viver intensamente cada dia durante essa jornada.

Nós devemos continuar avançando sempre!

“Nós devemos continuar avançando, abrindo novas portas e fazendo coisas novas, por que somos curiosos e a curiosidade nos conduz a novos caminhos” – Walt Disney

Sempre que me deparo com um momento de transição, tanto na vida pessoal quanto profissional eu recorro a essa frase, pois, para mim, ela diz tudo.

Eu masterizo músicas para o formato CD desde o inicio de 1994, quando o CD passou a atingir milhares de consumidores. O CD era uma mídia pratica, que ao contrário do LP, limitado apenas a um aparelho – o toca-discos, era compatível com vários aparelhos. O mesmo CD tocava no carro, no discman, no computador, no som da casa e no som portatil, além de ser pequeno, seguro e fácil de transportar. A qualidade do áudio do CD não sofria interferências, soava muito bem em todo lugar e reproduzia fielmente as músicas por nós produzidas.

O Consumidor encontrava CDs em grandes lojas, nas bancas de Jornal, em supermercados e o consumo era alto. O Som do CD era muito superior aos LPs e, embora os consumidores gostassem disso, não era o mais importante, era a praticidade do CD que o fazia tão popular.

As pessoas, como eu, gostavam e muito de passar várias horas nas grandes lojas de CDs. Perder tempo com isso fazia parte.

Depois ainda vieram os CDs graváveis e até as nossas compilações, antes feitas em cópias dos LPs nos cassetes, ficaram fáceis de se fazer com a qualidade igual a do CD.

O nosso trabalho então na masterização, foi explorar ao máximo a qualidade do áudio do CD e fizemos isso com muito entusiasmo, muitos clientes e com as centenas de ferramentas analógicas e digitais disponíveis, desenvolvemos muitas tecnicas até a chegada do MP3, com grandes avanços técnicos e artísticos ao longo desses anos.

Com a chegada do iPod e um pouco depois o iTunes Music Store, começou uma nova revolução no mercado de vendas de música e, mais uma vez, os consumidores tinham uma novidade pela frente.

No inicio, parecia pouco pratico, pois os iPods eram caros, compatíveis apenas com computadores da Apple, eram grandes e pesados, com uma capacidade grande de armazenar musica, é verdade, mas os consumidores não tinham como comprar as músicas on line, então tinham que converter as músicas dos seus CDs e não era simples e pratico, e ainda gostavam e muito dos seus CDs. Aos poucos porém, os iPods foram caindo no gosto das pessoas, ficou pequeno, leve, compativel com todos os tipos de PC, sons caseiros e dos carros, chegaram as lojas on line e, aí sim, ficou facil e muito prático.

Hoje, navegando pela internet, vi exatamente por que os consumidores trocaram o CD pelo arquivo digital. Eu vi em um site que uma das minhas cantoras favoritas – a Sheryl Crow – lançou um novo álbum e a resenha falava da qualidade das canções, do áudio e da produção. Imediatamente, entrei no site do iTunes e comprei meu álbum por US$ 7.99 com 14 canções e a capa completa em PDF, com a ficha técnica completa, fotos incríveis com uma qualidade excepcional. Dei uma ouvida rápida e, em menos de 5 minutos, tudo em meu computador. Isso é o que o consumidor atual quer, facilidade e praticidade.

Hoje, as pessoas não gostam de perder tempo, assim como eu, e ficou muito rápido e simples consumir música. Para a maioria delas, perda da qualidade acabou sendo um pequeno detalhe nesse processo.

Agora o meu trabalho na Masterização antes focado apenas no CD, passou a ter novos alvos, esse novo formato tão fácil de se consumir e outros que vão aparecer e, para mim, novos desafios, novos equipamentos, novas técnicas…

Eu não tenho medo do futuro e sim muita curiosidade de como as pessoas ouvirão suas músicas e como nós nos adaptaremos a isso. Nossas técnicas de gravação, mixagem e masterização estão em constante evolução e vão continuar, mas a nossa habilidade auditiva e criativa continuará sempre igual.

Assim como não ficamos satisfeitos com o som do Vinil, não podemos ficar parados, presos ao CD, e nem ao MP3, temos que continuar avançando em nossa profissão, buscando novas técnicas e com o nossa curiosidade, abrindo novas portas como a TV digital e o Stream e essa curiosidade nos levará a descobrir os novos caminhos e novos avanços como aconteceu com o LP, com o CD, com o MP3, com o Stream e como acontecerá com o proximo formato e modo de ouvir e comercializar música, exatamente como disse Walt Disney!

Antes de começar uma sessão de Masterização, “ajuste” o seu ouvido!

Comece o seu dia ouvindo músicas, de preferência, do mesmo estilo musical do projeto que você vai masterizar. Escolha músicas que tenham um bom equilíbrio das frequências, que seus ouvidos estejam acostumados a ouvir em diversos sistemas e diferentes lugares.

Isto te ajudará a começar a sessāo de masterizaçāo com o seu ouvido ajustado e adaptado ao estilo musical do projeto a ser trabalhado e também à acústica da sala, dando um bom equilíbrio auditivo para começar o trabalho.

Aproveite também este tempo para tomar um café e relaxar.

Em tempos de música digital, iTunes, Spotify, Deezer e outras bibliotecas digitais, a empresa SonicStudio (a mesma que desenvolveu o Sonic Solutions nos anos 90 e recentemente o SoundBlade, software muito usado pelos estudios de masterizaçāo profissionais pela excepcional qualidade do seu “sonic audio engine”) desenvolveu um novo software , o Amarra.

O Amarra usa o “sonic audio engine”, o mesmo que os engenheiros de masterização do mundo todo usam para masterizar a maior parte das música que ouvimos no nosso dia-a-dia para fazer com que o som do iTunes soe muito bem nos monitores de referência do seu estúdio. Mesmo nos alto-falantes embutidos no Mac suas músicas vão soar impressionantemente bem com o Amarra. Basta fazer um simples teste de comparação tocando a mesma música no iTunes e no Amarra demo, que pode ser baixado neste link:

http://app.streamsend.com/public/9h99/xcy/subscribe

A vantagem deste software está na facilidade trazida pela Sonicstudio, que permite reproduzir todos os formatos de audio existentes atualmente no mesmo player, tornando desnecessária a conversão dos arquivos e respeitando o formato original do arquivo, como, por exemplo, WAV e FLAC. Inclusive, os playlists existentes no itunes são tocados diretamente no Amarra. Com isso, voce pode criar vários Playlists com estilos de músicas diferentes no iTunes e usá-los para aquecer os seus ouvidos antes de começar a sessāo de Masterizaçāo ouvindo no Player do Amarra.

E não esqueça, cuide muito bem do seu ouvido! Sempre! Acredite, ele é o seu maior patrimônio e a sua melhor e exclusiva ferramenta.

mais informações:

http://www.sonicstudio.com/amarra/amarra_hifi.html

O Primeiro contato com plug-ins digitais em Masterização.

Em 1992, eu Masterizei o CD do Arnaldo Antunes “Nome” utilizando um Sistema Digidesign Sound Tools I (Avô do Pro Tools atual) , montado em um Apple Macintosh II CI com incríveis 24mb de RAM , HD interno de 40MB e um HD externo de 800MB (Foto).

Essa masterização, que eu considero a minha primeira já como eng. de master, foi um trabalho artesanal e foi realizado no estudio 2 do estudio Art Mix em SP junto com o Arnaldo Antunes durante 1 semana.

Tudo era muito demorado, pois era tudo processado. Não havia insert ainda, apenas audio suite e mesmo assim apenas alguns efeitos, equalizador e Compressor.

Havia um pequeno “Preview” para ouvirmos a EQ e a Compressão , mas era tudo muito na base de acerto e erro, e ainda, às vezes, o processamento digital gerava um “Ruido digital” e tinha que ser tudo refeito, mas já era possível montar um “Play List” com controle de “Volumes” , “Pan” e espaço entre as Musicas.

 

O meu Primeiro contato com um limiter digital,foi em 1997 com o Waves L-1 durante a Masterização do CD do Karnak “Umbigo do Mundo”.

Eu utilizava um Sistema Digidesign Pro Master 20 montado em um Macintosh Quadra 650, 32mb de RAM , HD internos de 300MB e e um HD externo de 1GB.

Esse sistema era bem superior ao Digidesign Sound Designer II que substitui o Sound Tools I, meu antigo sistema e era uma estação voltada somente para Masterização de CD em 2 canais, com conversores AD/DA de alta qualidade, um otimo clock e era possivel gravar o audio em 24 Bits ( algo que foi implantado no Pro Tools bem mais adiante por volta do ano 2000).

Estávamos no meio do Processo de Masterização desse CD quando chegou o pacote da fedex com o Waves L1 e o Equalizador Q-10. Eu e o André Abu do Karnak entusiasmados , abrimos o pacote e instalamos no meio da Master.

Começamos a mexer em tudo e foi inacreditável! O André Abu ficou maluco e conseguimos colocar muitos, mas muitos dBs a mais de Volume e Refizemos todas as musicas.

Até hoje eu acho incrível o som desse CD , masterizado somente compressor do proprio pro master 20 e com os Plug-Ins L1 e Q-10 processados, nada de tempo real como hoje, pois continuavamos sem Insert e foi finalizado em PMCD com o Master List CD 2.0 e um gravador Sony CDW-E , conectado ao Macintosh por cabo SCSI.

“Universo Umbigo” e “Velho no Metro” – Universo Umbigo – Karnak 1997

A Partir de 1998 , eu passei a utilizar em minhas masterizações os equipamentos analógicos da Manley para processamento do audio e o Sistema da Sonic Solutions para edição digital, mas nunca abandonei o Waves L2 e nem o Pro Tools e os uso até hoje.

Acho que o resto é História! O L2 acho que é o Limiter mais utilizado no mundo. Eu mesmo usei muito no final de minhas Masterizações de CDs “Pop” e “Rock” um L2 versão RACK.

 “Universo Umbigo” e “Velho no Metro” – Universo Umbigo – Karnak 1997