MPB & SAMBADélia Fischer é indicada ao Grammy Latino pelo álbum “Tempo Mínimo”

Tempo Mínimo, um disco elogiado mundo afora, duas turnês europeias em menos de três meses e a indicação ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Brasileira. Esse é apenas um resumo rápido do que tem sido o ano de 2019 para a cantora e compositora Délia Fischer.

Enquanto aguarda o embarque para Los Angeles, onde acontecerá a cerimônia de premiação do Grammy Latino, marcada para o dia 14 de novembro, Délia saboreia a indicação: “Por mais tempo e esforço que eu tenha dedicado nos últimos anos ao meu trabalho de compositora, cantora e instrumentista, a dificuldade para se ‘chegar lá’ é grande”, avalia. “Não sou uma novinha ‘revelação’ e estou longe de ser uma consagrada. Por isso, há uma felicidade maior em saber que houve uma escuta criteriosa de ‘Tempo Mínimo’, um álbum que foi feito com todo amor e os maiores e melhores colaboradores possíveis, com todo esmero no som e nos arranjos”.

Ao lado dela, concorrem na mesma categoria Zeca Baleiro* (O Amor no Caos), Nana Caymmi* (Nana Caymmi Canta Tito Madi), Zélia Duncan (Tudo é Um), Jards Macalé(Besta Fera) e Gilberto Gil (OK OK OK).

“Sem dúvida, a parte mais incrível é estar nesse rol da MPB, principalmente ao lado do Deus Gil, que é uma das maiores referências da canção para mim e para todo mundo, tenho certeza”, frisa a artista.

Grammy Latino chega em um momento para lá de especial. Desde que lançou o disco, em abril, Délia não para em casa. Nas duas turnês pela Europa, ela tocou para públicos majoritariamente locais. O triunfo no Velho Continente contou com apresentações consagradoras em palcos da Alemanha (Karlsruhe e Frankfurt), Itália (Turim, Roma e Nápoles) e Portugal (Lisboa e Amarante, dentro do prestigiado MIMO Festival). Foi dessa maneira que ela comemorou seus 30 anos de estrada. Melhor, impossível!

Em agosto, a festança aconteceu em sua cidade natal, o Rio de Janeiro, através do Festival Levada 2019. Com um detalhe: ela foi a única artista a tocar em duas noites. O show é o resultado de mais de oito anos de dedicação ao novo disco, que acentuou a sua faceta de cantora, em um repertório quase integralmente autoral.

“Nos dias de hoje, quando a atenção dedicada a qualquer experiência cognitiva ou estética não dura mais que 30 segundos, apropriar-se do tempo e de seu valor talvez seja um gesto muito mais revolucionário do que se poderia imaginar”, destacou o crítico italiano Massimo Milano, estudioso da música japonesa e brasileira, sobre o trabalho da artista.

Em tempos de mídias digitais, o público de Délia Fischer continua rigoroso e não perde o costume de ouvir CD à moda antiga. Por isso, o álbum físico está à venda em todas as unidades da Livraria da Travessa, no Rio. Nesse trabalho, Délia trouxe a palavra para o primeiro plano, depois de dedicar muito tempo de sua carreira à seara instrumental, seja como artista ou produtora. São faixas como Orgia, Samba Mínimo, Tanto Faz, Canção de Autoajuda e a regravação de Garra, dos irmãos Paulo Sérgio Valle e Marcos Valle, este último presente na própria faixa.

Já no palco, Délia Fischer vem se apresentando ao lado de dois músicos não menos talentosos: o baixista Matias Correa e do multi-instrumentista Antonio Fischer-Band. É a mesma formação que rodou com ela pelos palcos internacionais.

“São os parceiros perfeitos para o meu som”, acentua a artista, que é casada com Matias e mãe de Antonio.

Depois de mostrar Tempo Mínimo na Europa e no Rio de Janeiro, Délia Fischer entra para o panteão dos artistas indicados ao Grammy Latino: “Me sinto, antes de tudo, empolgada para continuar a seguir desafiando o tempo. Esse tempo que abre um portal de amor e reconhecimento pela música, por anos de dedicação incansável, ao som de todos os sentidos dele”, finaliza ela.

*Masterizado por Carlos Freitas aqui na Classic Master.

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *