Masterizando “Carbono” do Lenine.

Produzido por Lenine, Jr. Tostoi e Bruno Giorgi, que também foi o eng. de mixagem, Carbono é o novo projeto do Lenine, que foi masterizado aqui na Classic Master no Inicio de Abril.

Eu estava com uma expectativa muito grande em relação a esse projeto, pois os álbuns do Lenine sempre tem uma sonoridade única, com os graves bem fortes e arranjos bem densos e elaborados, como aconteceu com o CD “Chão”, ou seja, o som é sempre muito bom!

Depois de um papo bem descontraído tomando um bom café, começamos a sessão de masterização ouvindo primeiramente no Pro Tools, todas as músicas mixadas pelo Bruno já na sequência proposta pelo Lenine e depois, passamos algum tempo discutindo sobre a estética sonora e os aspectos emocionais do projeto. Com base nessas informações, eu montei uma estratégia para a masterização.

Jr. Tostoi, Bruno Giorgi, Lenine e Carlos Freitas durante a masterização do CD Carbono.

O CD Carbono é muito interessante do ponto de vista sonoro porém desafiador do ponto de vista técnico, pois mistura músicas com muita pressão sonora, como a faixa “O Impossível vem pra Ficar”, com  arranjos densos com forte conteúdo nos graves e nenhuma dinâmica com músicas bem suaves, como “Simples Assim”, com arranjos elaborados com muita dinâmica e pouca pressão sonora e esse seria o grande desafio, equilibrar o projeto em relação as frequências e a dinâmica e buscar elementos que pudessem ser explorados do ponto de vista emocional, que pudessem valorizar mais ainda detalhes no arranjo.
Eu dividi as músicas por 2 estilos. Um, com muita pressão, que seria necessário um processamento bem mais forte, e outro, bem mais suave onde seria necessário um trabalho mais no timbre do que compressão.

Comecei a trabalhar nas músicas  que seriam mais processadas, como a faixa Grafite, testando diferentes ajustes e opções de equalização e compressão, comparando e variando o efeito do processamento entre os equipamentos a válvula da Manley, o compressor “vari mu” e o equalizador “massive passive” e os equipamentos transistorizados da maselec MEA_2 e MLA_2.

No final, chegamos ao resultado que queríamos, especialmente nos graves e nos médios, com os equipamentos da maselec para as músicas com bastante pressão sonora e para as mais suaves, uma mistura de transistor com o equalizador da maselec e válvula com a compressão do Manley.

No final, a tensão contida em algumas canções foram acentuadas e a leveza dos arranjos em outras foram preservadas e o CD Carbono ficou equilibrado e com a sonoridade desejada pelo Lenine.

Eu acho o Carbono, um grande projeto, bem ao estilo Lenine! Produção impecável aliado a uma mixagem ousada!

Eu pedi ao Bruno, que falasse um pouco sobre o processo de mixagem e da master:

Jr. Tostoi e Bruno Giorgi, durante a masterização do CD Carbono.

Optei por mixar na SSL Axiom pela facilidade de ter equalizadores e compressores por canal, por sentir o mixbuss bastante limpo e, principalmente, por gostar do pan-law dessa mesa. Porém, prefiro acreditar que chegaríamos a um resultado igual ou igualmente satisfatório em qualquer outro sistema.

O que mais me agradou na master foi a coesão final do disco. Há momentos de dinâmica baixa e momentos de dinâmica inexistente de tão alto… Acho que conseguimos dosar bem o fator loudness X timbre.

Também gostei bastante da coloração que o disco ganhou. Tanto a equalização como a compressão usadas fizeram surgir a sensação de impacto nas médias altas que foi muito benéfica para o disco”

“Carbono” Lenine (2015)
Produzido por Lenine, Jr. Tostoi e Bruno Giogi
Mixado por Bruno Giorgi

No fim, o que vale mesmo é a jornada!

No dia 1 de fevereiro de 2001, eu acordei e já sabia que seria um dia muito especial, o inicio de uma nova fase em minha vida profissional e que eu me lembraria pelo resto da minha vida!

Voltando um pouco no tempo, em 1994, o Ricardo Carvalheira, o “Franja”, me convidou para fazer parte de um novo projeto, um estúdio de masterização e depois de 10 anos trabalhando como eng. de gravação e mixagem, minha curiosidade me levou a mudar de área de atuação no áudio e seguimos adiante com o novo projeto, a Cia de Audio, onde dividi os trabalhos com mais 4 eng. de masterização.

Fizemos grandes projetos durante 6 anos, porém nos especializamos mais em remasterizações para relançamentos em CD do que em novos lançamentos e isso me incomodava um pouco até que durante a minha participação na maratona de Nova York em novembro de 2000, veio em minha cabeça a idéia de buscar novos caminhos e resolvi montar a Classic Master, sozinho e com uma nova filosofia de trabalho e foco nos novos lançamentos.

No inicio, com o forte apoio do meu grande amigo e incentivador Pena Schmith e das gravadoras Trama e Abril Music, comecei a montar o projeto da Classic Master em janeiro de 2000.

Apresentei o projeto a Trama e a Abril Music e disse a eles que eu teria condições de atendê-los apenas a partir de maio, mas o João Marcelo da Trama e o Ricardo Cantaluppi da Abril me disseram para agilizar de alguma forma, pois não poderiam esperar e embora apoiassem meu projeto, procurariam outras opções..

Um pouco chateado, liguei para o meu amigo Dudu e contei a situação e ele me disse prontamente com muito entusiamo: “tenho uma idéia, por que você não fica aqui masterizando no nosso Estúdio até o seu Estúdio ficar pronto?”

Aceitei na hora e passei a noite reformatando o projeto inicial e resovi dividir em 3 etapas.

No dia seguinte levei parte do meu equipamento para o “Nosso Estudio” e no dia 1 de Fevereiro de 2000, a primeira etapa estava sendo iniciada com a masterização do primeiro CD na Classic Master, “Acústico MTV” (Abril Music) do Capital Inicial no estúdio principal do “Nosso Estúdio”, atual “Bocaina 72”, com o produtor Marcelo Sussekind.

“Acústico MTV” Capital Inicial – Abril Music (2001)

Eu masterizei ainda no “Nosso estúdio” os CDs “Assim que se Faz” da Luciana Mello (Trama), “Dis’ritmia” do Jair de Oliveira (Trama), “Voz no Ouvido” (Trama) e “Here There and Everywhere” da Rita Lee (Abril Music).

No inicio de maio, a segunda etapa estava sendo iniciada, agora na nova sede, porém em um estudio ainda provisório, com a masterização do CD “Sozinha Minha” da Adriana Maciel (Dubas 2001) com os meus amigos Sacha Amback e Walter Costa.

“As Segundas Intenções” Ed Motta – Universal Music (2001)

Muitos projetos foram finalizados nesse estudio provisório, como o CD “Manual Prático 2″ do Ed Motta (Universal 2001) e “Os Tribalistas” do Carlinhos Brown, Marisa Monte e Arnaldo Antunes e muita gente bacana que passou por aqui, sempre com muita diversão e entusiasmo durante as masterizações até o inicio da ultima etapa com a inauguração do Estúdio atua projetado pelo Egidio Condel.

E lá se foram 16 anos desde o dia 1 de fevereiro de 2000 e o que mais me marcou nesse período, foram as pessoas que passaram por aqui durante a finalização de cada projeto, que me permitiu viver intensamente cada dia durante essa jornada.